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A Memória de Auschwitz

Auschwitz, um nome que ficou para a história pelas piores razões. Sabemos o que aconteceu e sabemos das experiências médicas que ali foram feitas, em nome de um regime e de uma raça supostamente superiores. Vemos os edifícios, as câmaras de gás, até o humor negro em cima do portão (arbeit macht frei pode-se traduzir por “o trabalho ir-vos-á libertar”), porém, grande parte das pessoas não compreende verdadeiramente o que foi Auschwitz. Ficámos insensibilizados ao (ou preferimos não pensar no) que se passou ali. Valerá a pena, então, cuidar de uma memória cujo objectivo principal não é cumprido? Valerá a pena, então, cuidar de uma memória, se grande parte das vítimas quer essa memoria destruída?

Auschwitz é sem dúvida o mais conhecido dos campos de concentração do regime Nazi, talvez por ser o pior de todos. Ainda hoje, passados 70 anos da sua libertação, não sabemos exactamente quantas pessoas morreram ali, naquele inferno na Terra. As estimativas (conservadoras) apontam para 1.1 milhões de mortos, mas o valor pode chegar aos 5 milhões. Talvez seja melhor, para bem da Humanidade, não sabermos o número exacto de mortos. E é por aqui que devemos entrar, pelo bem da Humanidade.

Auschwitz é, no verdadeiro sentido da palavra, um cemitério. Estão lá enterradas mães, pais, filhos, avós e netos. Estão lá enterradas famílias inteiras. É compreensível, portanto, que nem toda a gente queira destruir essa memória. Contudo, é ao mesmo tempo também um monumento ao regime Nazi e isso é algo que não se deve permitir. Os crematórios e câmaras de gás, onde as pessoas eram mortas e cremadas (algumas delas ainda vivas), são um símbolo do pior momento da Humanidade. Auschwitz é o símbolo de uma altura em que preferimos fechar os olhos e nem sequer admitir que aquilo estava a acontecer. Tirar a suástica de um edifício não lhe tira o significado. E é por isso que há quem defenda a destruição de Auschwitz. Porém, esta posição é controversa.

Argumenta quem se opõe a esta posição, que se estaria a ignorar os mortos, sobreviventes e o próprio Holocausto em si, que os sacrifícios e mortes terão sido em vão e que estar-se-ia a apagar um capítulo da história da Humanidade. Em suma, argumenta-se que se estaria a destruir o legado do Holocausto e de Auschwitz. Os defensores da destruição não concordam. Há museus, espalhados pelo mundo inteiro, que ilustram não só o flagelo que foi Auschwitz, o Holocausto e o regime Nazi, há fotografias, vídeos e relatos pessoais de quem os viveu e de quem lhes sobreviveu. Há provas tangíveis que o Holocausto aconteceu e, por muito que certos indivíduos tentem dizer que não aconteceu, não há como negar isso. As memórias de Auschwitz estarão para sempre preservadas nos sobreviventes e nos seus descendentes, nos monumentos e na memória das pessoas.

Auschwitz nunca será destruído. Porquê? Pela mesma razão que deve ser destruído. Auschwitz ficará de pé para sempre para nos relembrar do que acontece, quando decidimos fechar os olhos e ignorar o que se estava a passar. Para bem de toda a Humanidade, Auschwitz não pode, nem deve ser destruído.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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