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A Marcha da Reconstrução da Europa

Nos últimos meses, cada semana é rica de novos desenvolvimentos no campo político. A estabilidade certamente que fico em casa. Mais sério se torna à luz do enquadramento europeu, em que uma mudança radical de governo terá impacto em todos os países.

Tudo começa no Reino Unido, com o resultado do referendo que inicia a saída do país da União Europeia. A partir do momento em que se materializa a capacidade de transformar a contestação de grandes massas de eleitores em votos, fica aberto um campo de indefinição.

Nestas campanhas presidenciais, havia opções para todos os gostos. Os tradicionais partidos de esquerda-direita, cada vez com menos apoio, seguidos pela Frente Nacional, galopante na atenção pública com Marine Le Pen a liderar o partido, Mélenchon, como alternativa da esquerda radical – apresentado com o mote de França Insubmissa – e Emmanuel Macron, a alternativa light e europeísta ao sistema político francês.

Os partidos tradicionais, de Fillon e de Hamon, foram cedo afastados da possibilidade de chegar ao Palácio do Eliseu – seja pelos escândalos de corrupção do republicano ou pela impopularidade dos socialistas, a partir de Hollande. Pela primeira vez, a divisão esquerda-direita não é a mais relevante neste debate presidencial. Os eleitores procuram respostas mais concretas às suas necessidades, pelo que existe a adição de outras variáveis a esta eleição: o Euro, a União Europeia, as fronteiras, a segurança e defesa do país.

Macron alcança o feito extraordinário de obter a maioria dos votos na sua primeira apresentação enquanto candidato a um cargo político. Apresenta-se como independente, jovem e europeísta, apesar de ser o principal herdeiro de Manuel Valls. Recolhe a maioria dos votos e, se mantiver a sua campanha como até agora, terá apenas que receber os votos de oposição a Le Pen.

Por outro lado, Marine Le Pen esforçou-se imenso para limpar a imagem do partido nos últimos anos. Esta campanha eleitoral foi a prova de que conseguiu atribuir uma nova imagem, conseguiu diversificar o seu público-alvo e contestar votos com a extrema esquerda.

Ainda que Macron tenha sido o candidato mais votado, esse não deve ser motivo de alívio. Os eleitores estão à procura de alternativas e estão saturados da falta de criatividade e de representatividade do sistema político. Le Pen conta com mais de seis milhões de votos, votos de eleitores que defendem um programa de saída da França da moeda única, um retrocesso ao processo de integração.

Macron, ao ser eleito presidente, terá de ter em conta as opiniões deste eleitorado também. Terá de ser capaz de chegar até estas pessoas, como Chirac não o foi. A sua prestação irá depender da constituição da Assembleia legislativa e da relação com o Primeiro-Ministro daqui resultante.

O apoio dos republicanos e dos socialistas é um bom passo para a cooperação num modelo de coabitação partidária, em que todos procuram obter algum ganho neste clima de derrota. A felicidade é expressa dentro da Comissão Europeia, em que o Presidente Jean-Claude Juncker transmitiu os parabéns a Macron pela sua vitória.

Foi-nos dada mais uma oportunidade para olharmos para o futuro de forma conjunta. Esta campanha eleitoral demonstra a facilidade para defender o retrocesso ao projeto de paz que os europeus foram construindo. É, por isso, cada vez mais importante reavaliarmos de forma conjunta o que queremos, transmitido a sensação de que as massas são ouvidas nas grandes decisões que afetam o seu quotidiano.

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Pedro Moniz

Pedro, 22 anos, europeísta. Ser pensante em full-time, com muitas perguntas em cima da mesa. Com valores e ideais bem definidos, a apaixonar-se por novas ideias.

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