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A Loja dos Suicídios, de Jean Teulé

Morto ou reembolsado!». Eis o slogan da Maison Tuvache, uma lojinha que comercializa tudo o que há de mais fino e eficaz para a lúgubre empresa do suicídio. Há dez gerações que a Loja dos Suicídios satisfaz 100% da clientela: morrem todos e não fica nenhum para reclamar. Mas a família recebe um novo elemento, a criança que traz com ela uma terrível maldição: a alegria de viver. O pequeno Alan passa os dias a cantarolar, a consolar os clientes e, pior que tudo, a rir. Sim, Alan gargalha. Alan é um otimista. E prepara-se para sabotar o próspero negócio de família.

A loja dos suicidios 1

A sinopse promete uma história que eu pensei que fosse adorar! Não adorei, mas não tenho a certeza do porquê.

Comecei a ler o livro e a gostar da ideia que a sinopse me passou. O livro vai-se desenvolvendo de forma muito fluída e o autor teve muitas ideias engraçadas, como imaginar uma Feira Popular de Suicídios, ou as formas de cometer suicídio (e os respectivos nomes) que se vendem e aconselham na loja, com destaque ainda para a personalidade de cada personagem e para a forma como tratam os clientes. No entanto, depois de algumas páginas, comecei a sentir um pouco de desilusão.

Talvez tenha criado expectativas muito altas, não sei. Porém, quanto mais lia, mais notava que muitas das piadas ficavam perdidas, muitas das explicações e algumas das acções pareciam forçadas, sendo que, por vezes, eu não conseguia perceber a forma como o tempo saltava e avançava. Num filme, que sempre tem um tempo limitado, talvez fizesse mais sentido forçar algumas narrativas e fazer com que outras se desenvolvessem mais rapidamente, mas num livro, em que tudo é possível, senti que queria mais fluência e mais naturalidade do que aquela que o livro demonstrou ter.

A loja dos suicidios 2Por isso, reafirmo o que disse logo de início – não sei porque é que não adorei A Loja dos Suicídios. Não consigo perceber se a ideia era boa e o autor é que não conseguiu desenvolvê-la, ou se a obra era boa, mas não foi bem traduzida. Não conheço bem a literatura, nem a cultura francesa, e é possível que muitos dos saltos de tempo e das piadas tivessem ficado perdidos na tradução – literária e cultural.

Mesmo com este ponto negativo, quando chegamos ao fim… o fim é fantástico. Não estava à espera, embora desconfiasse, a uma dada altura, de como seria o desfecho desta obra, e reconquistou-me. Adorei o fim, apesar de não ter sido uma leitura de que tenha gostado muito, mas as ideias usadas e abordadas foram magníficas.

Se lerem, aconselho, a quem tiver conhecimentos, a ler em francês. Pode ser que, assim, consiga desfrutar mais do que eu.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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