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A Internet vive ontem, hoje e amanhã

A internet está no centro das transformações do nosso tempo. É tema recorrente quer pela ameaça a poderes económicos e políticos, quer pelo enorme poder libertador e democrático de uma rede onde todos podem comunicar a nível global. O que o poder não criou, não domina e que só explora no que pode e como pode, ainda tem ou terá a essência criada por Tim Berners-Lee?

Desde 1960, nada mudou tanto o mundo como a ferramenta que começou com a ARPAnet e que terminou como sendo a World Wide Web que Berners-Lee nos “ofereceu”. “Na última década do século XX, assistiu-se ao desenvolvimento da sociedade da informação com uma intensidade nunca antes experimentada. As tecnologias de informação e das comunicações invadiram praticamente todas as áreas de actividade, muitas vezes sem que os cidadãos se apercebessem da extensão da sua penetração nos aspectos mais comuns da vida em sociedade”, explica João Dias Coelho, Presidente da Missão para a Sociedade da Informação.

No século em que vivemos, não observamos indícios que apontem a diminuição das transformações da Internet. A sua evolução será determinada pelo desejo de liberdade da maioria e pela vontade de controlo por parte de alguns, mas, principalmente, pela própria evolução científica e tecnológica.

Estes últimos anos foram marcados pelo design responsivo, pela ascensão dos tablets e smartphones como pontos de acesso à internet, pela presença de mapas, gráficos e diagramas, por uma linha minimalista e uso de imagens grandes. Porém, a web vai mais além, os motores de busca, diz Carlos Martins, compilam e analisam a informação que procuramos, bem como a contida em redes sociais, apresentando-nos resultados mais adequados para cada um de nós. Hoje vemos aquilo a que Helena Branquinho designa por Geração Redes Sociais. Ela atreve-se a dizer que vivemos num mundo determinado por “Penso logo existo; tenho email, logo existo; não tenho facebook, não existo”. Pode dizer-se que ter contas está na moda, para além disso pode mesmo dizer-se que ter uma conta numa rede social implica a sensação de ligação ao mundo, a sensação de estarmos vivos para a sociedade. O Twitter, Instagram, Pinterest, Youtube, Pose, Lookbook e muitos outros são meios de divulgar as opiniões, criatividade e, ainda, promoção gratuita.

Surgem também, com a web 3.0 e segundo Francisco Bosch, director da empresa espanhola Infoempleo, os novos empregos que são “oportunidades que muita gente desconhece”. A nova era digital encontra profissões como: especialista em análise da web, arquitecto de informação, web designer, especialista em usabilidade, editor de conteúdo, analista funcional, consultor de e-business, responsável por e-commerce, webmaster, advogado especialista em internet, director de marketing online, especialista em SEO (Search Engine Optimization), administrador de base de dados, programador, técnico de suporte, trafficker e gerente de comunidades e redes.

E como será a internet em 2020? Viveremos na ficção científica, ou com uma bomba relógio?

O relatório da Pew Internet Project apresenta-nos conclusões sobre este futuro. Imagina-se um cenário dominado pela mobilidade, privacidade, transparência, interfaces e propriedade. A PIP defende que dispositivos móveis serão a principal ferramenta de conexão a internet, que a transparência entre as pessoas e as organizações vai aumentar. Este relatório vai mais além, prevê que vai continuar a disputa entre os donos de copyright e defensores de propriedade intelectual. A tecnologia estará em todo o lugar e o acesso à internet será permanente. “Mais pessoas usarão a internet. Em 2010, são 1.800 milhões, em 2020, estimam-se que sejam 5.000 milhões. Será geograficamente mais dispersa. Isto é, crescerá mais rapidamente nos países que hoje têm taxas de penetração baixas. 2020 terá uma rede de coisas, mais do que a rede de pessoas a que 2010 assiste. Coisas como edifícios, pontes, automóveis. Aos milhões.O transporte da informação será feito maioritariamente sem fios.”, refere Paulo Querido Portugal. “Seremos 5 biliões de usuários e a rede terá biliões de dispositivos.”

Os Hackers vão multiplicar-se. Os roubos online serão muito mais lucrativos, o que atrairá mais ladrões virtuais, aumentando muito as despesas com segurança virtual e a complexidade da transmissão de dados na rede.

Tecnoterroristas e drogados virtuais é o retrato que especialistas inquiridos pelo Instituto Pew e pela Elon University traçam para a Internet dentro dos próximos dez anos. Do total de 742 peritos, 58% concorda que será inevitável a existência de grupos anti-tecnologia, alguns disposto a recorrer à violência para impedir essa evolução. Quanto a uma ligação total do mundo à Internet, 56% dos inquiridos acreditam que a Internet vai estar verdadeiramente difundida em todo o Planeta.

Como visão global, em 2020, vemos as empresas a usar unicamente a internet para actuar, comunicações móveis mais baratas e constantes, uma geração de viciados em realidade virtual, uma privacidade ameaçada pela quantidade de informação online e até de ataques à estabilidade da rede como forma preferencial de acção terrorista.

Hoje é a era do computador que nos conhece e amanhã?

Pertencemos à Era da Web 3.0, à Era do acesso livre, da banda larga, das redes sociais, à era do computador que nos conhece. Não há um limite para a criatividade na hora de difundirmos informações através da Internet. Vivemos o ano da árvore falante de Bruxelas e hoje que mais vivemos com esta transformação e evolução? Fazer previsões em novas tecnologias é um risco, mas já dispomos de dados estatísticos para projectar um futuro, do qual só teremos certeza ao vivê-lo.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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