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A história do pinheiro de Natal

A aproximação da principal festa da Cristandade traz consigo inúmeras tradições, nomeadamente a decoração das casas. O Presépio, que recria o nascimento de Jesus Cristo, é atribuído à figura de São Francisco de Assis, que, em 1223, celebrou a missa de dia 24 de Dezembro no interior de uma gruta na floresta de Greccio, com a representação viva da Natividade, para melhor explicar à população a importância do nascimento de Cristo. Depressa os quadros vivos se tornaram um costume natalício e a substituição de figuras humanas por estatuetas também.

Todavia, a tradicional árvore de natal parece ter tido uma origem externa ao próprio catolicismo. De facto, muito antes do nascimento de Cristo, as árvores de folha perene exerceram um grande fascínio sobre os povos de diferentes culturas e, tal como hoje, adornavam as suas casas, durante o Inverno com ramagens destas árvores, pensando assim afastar a pouca sorte, a doença e as energias malignas, fossem espíritos, ou bruxas.

Já os egípcios, cuja principal divindade era o Sol – o Deus Rá, costumavam, durante o solstício de Inverno – o dia mais pequeno do ano – adornar as casas com ramos de palmeira, para celebrar o facto de, a partir desse dia, os dias se tornarem maiores e a luz reinar sobre a escuridão. O mesmo acontecia noutras civilizações – romana, druida, viking, mais ou menos com o mesmo significado. A árvore de folha perene significava a vitória sobre os efeitos do frio e da falta de luz, quando tudo na natureza parecia estar morto. Os dias em breve estariam maiores e a vida iria em breve renascer nos campos e nas colheitas agrícolas.

Pensa-se que terá sido nos séculos XV e XVI, que, na Europa de Leste, no território hoje pertencente à Alemanha do Norte e à Letónia e Estónia, as corporações de ofícios, de raízes medievas, decoravam árvores, durante a quadra natalícia. Após a Reforma protestante, o costume ter-se-ia alastrado às casas particulares mais abastadas.

No entanto, seria já no século XIX que o costume se vulgarizaria pela Europa, visto que, até então, era um costume atribuído, sobretudo, aos países protestantes. Há notícias que teria sido introduzido na Dinamarca pela condessa Guilhermina de Holsteinborg, pela princesa Henriqueta de Nassau-Weilburg, na corte austríaca, e, em França, pela duquesa de Orléans, em 1840. Em Inglaterra, apesar de se suspeitar que tenha sido introduzida pela Rainha Carlota de Mecklenburg-Strelitz, seria só com a Rainha Vitória e, em especial, com o seu marido que o costume se enraizaria. Em Portugal, o costume de enfeitar um pinheiro deveu-se a D. Fernando II, de origem austríaca e  marido da Rainha D. Maria II.

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Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

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