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A Greve dos Professores Explicada aos Incautos e Preocupados Ministros

 

Esta semana venho-vos explicar, por que raio se lembraram os professores de fazer uma greve, em que vão perder um dia de ordenado e supostamente, segundo algumas cabeças menos iluminadas, preocupar e stressar os alunos que nesse dia têm, tinham ou, teriam o dito exame.

Para começar, um professor não é um objecto, nunca um produto do tipo coca-cola e muito menos é um funcionário público, porque um professor leva muito trabalho para casa e não, não o passa só aos alunos, porque cada vez que um professor passa trabalho aos alunos, quem é que vai ter de corrigir entre 26 a 30 peças execráveis de texto: é O PROFESSOR. O funcionário público trabalha de maneira diferente, tendo por sua vez um monte de papéis ou, ficheiros para analisar, mas fá-lo em equipa, nunca passa por todas as fases de análise de um processo, o que o tornaria demasiado moroso e provavelmente inviável, já esse é o trabalho de um professor, avaliando, ensinando e re-explicando (50 vezes de maneiras diferentes) matérias ao longo de um ano lectivo e avaliando-as contínua, cumulativa e sumativamente, tendo como principal objectivo que os seus aprendizes absorvam o seu conhecimento e sendo por norma o garante e a ajuda de que os alunos apreendem tudo, o que se deseja nos programas efectuados e publicados pelas mentes brilhantes e funcionários públicos do Ministério, que não souberam sequer formar devidamente as equipas para a regeneração da gramática, presenteando-nos com a consequente e desastrosa publicação da TLEBS. Onde temos “todos”, que é simultaneamente pronome indefinido e quantificador universal. Onde temos pronomes possessivos, que são iguais aos determinantes possessivos, o que até pode ter a sua lógica, mas depois os pronomes indefinidos que não são os mesmos dos artigos indefinidos, enfim a lógica desta gramática parece variar ao sabor da maré do modo de como acordou o escrevente e funcionário público, sem ser linguista ou, gramático, contratado e pago, para escrever uma gramática plena de erros, já com inúmeros estudos em forma de teses que o comprovam. A mim, contaram-me certa vez, sobre a explicação de ter saído uma gramática tão má, o facto de se terem criado equipas que trabalhavam em separado e que só se tendo reunido no final, não se aperceberam de que a Sintaxe, a Semântica, a Ortografia, a Morfologia, a Fonética, a Fonologia, etc., não poderiam ser redigidas em separado, se faziam parte de um grande bolo comum, chamado gramática, mas este curioso facto, só explica, como sempre, que o Ministério da Educação faz revisões ao ensino em cima do joelho, em vez de contratar os devidamente professores e investigadores da língua ou, doutras áreas científicas  semelhantes para o fazerem devida e outorgadamente.

Além destes constantes ataques e atropelos à independência intelectual de cada professor, posta em causa, como se fossem única e exclusivamente técnicos ou, máquinas de transmissão de conhecimento, que não pensassem e nem soubessem cientificamente, muitas vezes, mais, que os próprios executores da TLEBS. Até porque, trabalham com casos práticos e não com abstracções empíricas, fechadas em livros e avessas às realidades da vida e das aulas. Mas isso, eram já outros quinhentos.

Em segundo lugar, o Ministro da Educação e os Governantes também se esqueceram que ser professor hoje em dia, é muito mais que uma profissão, pois com tão “boas” condições que actualmente dão aos professores, só ficou na profissão, quem não tinha mesmo outro remédio, ou seja, os que trabalham por vocação, com afinco e que dão muito mais horas às escolas do que as que estão estipuladas em contractos aldrabões. Neste país, há professores contractados pelo Estado, por Empresas privadas que prestam um serviço ao Estado, por Associações de Pais, etc., e posso afirmar com veemência de que é raríssimo estas entidades pagarem o que é de lei, já para não dizer a tempo e horas.

Outro descalabro dos professores é o caso dos contratados, que trabalham 9 meses no ano, na maioria das vezes, arriscaria uns noventa e cinco por cento, a recibos verdes, em que desse salário é-lhes retirado 11% para a Segurança Social mais 30% para IRS e sobra-lhes muito pouco para: fotocópias, livros de apoio, deslocações, portagens e gasóleo, desgaste do carro, comer, pagar renda de casa, contas e sustentar uma família ou, hoje já nem sequer podem sonhar em ter uma vida de classe média ou, ir de férias para o Algarve no Verão, não dá, a carreira está parada há sete anos e o custo de vida aumentou muito desde então, e os ordenados dos professores nunca aumentaram, só reduziram sempre mais, com taxas e impostos ou, outras máscaras que tais.

Seguidamente, não será por causa de uns quantos que, o exame não se realizará, esta nota deve ser tomada seriamente pelos cábulas e pelos baldas, que durante todo o ano não se salvaram e depois esperam a misericórdia de outros tantos, para o Santo Milagre de passar no exame, sim, eu sei, pensar e estudar, dá muito trabalho, por isso é muito mais fácil, pensar que o exame não se realizará. Pensar em ir para os copos ou, outros disparates. Mentira, ele realizar-se-á sempre, mesmo que tenham de meter auxiliares a vigiar exames ou, professores do privado, contratados à parte para o efeito, o(s) exame(s) realizar-se-ão, de qualquer maneira. Esperem para ver.

Depois, temos a problemática do que será esse mistério incompreensível, que terá levado os professores a despoletar e a não desmarcar esta greve. Assim, passo a explicar que:

– a criação de cada vez mais mega-agrupamentos.

– a mobilidade sem critério de estabilidade da carreira.

– o horário lectivo pelo qual os professores são pagos vai-se estender, já em Setembro para 40 horas, ora da minha experiência, isto significará que, os professores passarão a trabalhar, na prática 80 horas semanais, no mínimo, pois que está estudado e eu posso assegurar que na prática é mesmo assim, quando não é mais, pois por cada hora de aula efectiva dada, o professor trabalha uma hora em casa, mínimo e que isto fique bem claro, pois nenhum professor trabalha somente as horas lectivas.

– o professor além das aulas, atende alunos, atende pais, atende colegas, dá apoio a toda uma massa escolar que muitas vezes é uma rede complexa, capaz de ocupar mais tempo a um professor, que todas as aulas de uma semana que daria. Sempre que toca para a saída, supostamente o horário do professor acaba, mas gostaria que o leitor atento e pai ou mãe, observasse qual será o professor que ao tocar para a saída, sai imediatamente da escola e vai à sua vida, nenhum, como isso não é possível, porque há alunos com dúvidas, como há alunos com problemas, que querem desabafar, como há sumários para fazer, organização transdisciplinar da matéria a fazer, planificações e toda uma quantidade de burocracia a preencher, enormíssima, que é impossível ao professor conseguir sair fugido da escola, assim que dá o toque, mas creio que o Ministro da Educação, acha que essa parte do trabalho dos professores, deve ser feita à margem do seu horário que lhe é pago, mesmo estando a carreira parada há mais de meia dúzia de anos e devem essas horas ser horas trabalhadas ao nível do voluntariado, já todos percebemos isso e nem todos concordamos com isso.

Porque, que eu saiba, o funcionário típico só pica o ponto depois de preencher o último papel bolarento de cima da sua secretária, certo, certíssimo, mas o professor, vai para casa preencher papelada e não recebe mais se demorar dois dias a fazer uma coisa, que lá na óptica transviada do Ministério deveria ter demorado uma hora. Achei muitíssima graça, quando Nuno crato afirmou que, já sabia que os professores trabalhavam mais do que as actuais 35 horas e até era por isso que iria aumentar o horário, mas paga essas horas? Claro que não!

Esta greve vai para a frente, pela dignidade dos professores, porque os professores se sentem governados por desgovernantes e não na responsabilidade de um bom ensino, que só destroem o ensino e a actividade de professor, porque sentem que estão a tentar transformá-los num bem transaccionável, quer isto dizer, num produto à venda pela pior oferta, tipo esquema Sonae levando os professores em funções à precariedade e à falência das suas famílias e consequentemente de todo o ensino, porque defendem o ensino público gratuito, porque defendem turmas de menos de 26 alunos, porque já trabalharam demasiadas horas extraordinárias gratuitamente, porque ao destruírem a carreira aos professores destroem o ensino e sem educação, sem conhecimento, sem ferramentas do pensamento, o povo é bem mais afável e controlável. Porque os professores defendem o direito ao pensamento livre e se isso anteriormente incomodava alguns, agora com a austeridade e os seus “ismos” incomodam muito mais. É que podem explicar em bom Português corrente, sem “ismos”, os sucessivos cortes do governo, que doem no bolso dos pais destes jovens em idade escolar e isso torna-se muito incómodo. Se os jovens se tornarem ignorantes por falta de professores e ensino de qualidade, por falta de tempo dos professores, por falta de condições de trabalho dos professores, a educação transformar-se-á num negócio proveitoso, como já se denotam os primeiros passos trepidantes.

Não durmam, nem nunca se esqueçam, a educação não é, nem nunca deverá ser um negócio.

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Filipa Mar

Neste sítio vindo do nada e do aqui constroem-se sonhos, distraem-se sensações mais fortes, dizem-se no som do búzio ao ouvido, as coisas jamais ditas por vós.

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1 thought on “A Greve dos Professores Explicada aos Incautos e Preocupados Ministros”

  1. Ola, gostei muito do teu artigo nao quer dizer que concorde, contudo respeito.Vivo temporariamente em inglaterra onde tirei o meu mestrado e possivelmente irei comecar o meu doutoramento, n sei la mt bem a realidade do ensino secundario ingles, contudo o universitario conheco perfeitamente, posso te dizer k os professors apesar de n serem superiors aos professors portugueses( alais acho k estao a anos luz) sao mt melhores e que ao menos eles sabem pk sao professors. o que n estou de acordo no teu artigo e kd dizes k os professors trabalham imenso em casa, epah axo k isso de trabalhar em casa j n se usa, se existem trabalhos de casa eles n sao corrigidos um a um pelo professor, se me disseres k tem de corrigir testes e exams td bem, contudo por semana teem 15 horas disponiveis para tais trabalhos, 15 horas multiplicando por mais de 30 semnas anuias mts horas irao sobrar. depois basta ir a uma eskola secundaria e de ceretza k n ves um professor afugando-se em trabalhos suplementares as aulas, provavelmente estao a relaxar, o k tb e preciso. trabalhar 40 horas devera ser pra todos, toda a gente ker minimizar as suas horas de trabalho e passer mais tempo em familia, no entanto a estrutura da nossa economia n esta para ai desviada.
    podia falar mt mais sobre isto, nda tenho contra os professors, mas tb n lhes dou mta atencao a kulpa do tao mau desempenho dos nossos alunos e provavelmente por causa deles, n me venham koma falta de condicoes.

    peco desculpa pela a falta de acentuacao, a razao para tal e k o teclado e ingles.

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