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A Gravidez no Nepal

Durante nove meses, uma mulher acolhe o seu filho na barriga, antes dele dar o seu primeiro choro. No entanto, estes nove meses não são iguais para todas as mulheres. Felicidade, alegria, depressão. São várias as emoções que uma mulher pode sentir. É sempre mais reconfortante, quando se tem uma boa alimentação, ou se sabe que há um bom acompanhamento médico para ela e para o filho. Estas condições, como óbvio, variam de país para país.

O Nepal é um dos exemplos onde este é um período difícil para a mulher. O país asiático situado entre a Índia e a China e que abriga os montes mais altos – os Himalaias, e é um país relativamente pobre, sendo também aquele em que há mais desigualdade entre géneros. O Nepal ocupava o lugar 145 de um total de 186 paises, em 2013, segundo a United Nations Development Programme (UNDP), num ranking organizado pela instituição para ver o grau de desigualdade entre os géneros.

A fome é um dos principais problemas. A chefe da Secção de Nutrição da Unicef no Nepal, Saba Mebrahtu, afirmou que a gestão insuficiente de alimentos, em especial nos primeiros anos de vida de uma criança, mas também durante a gravidez da mãe, causa efeitos imediatos no crescimento saudável dos bebes. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Nepal é um dos dez paises do mundo com maior índice de atraso no crescimento e desenvolvimento infantil. Acrescentam ainda que este é o resultado de uma má nutrição crónica, que afectava  41% dos menores de cinco anos, em 2011 (valor que, no entanto, diminuiu 16%, desde 2001).

A anemia é um outro problema que acompanha as mulheres durante a gravidez. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que são de 35% a 75% (56% em média) as mulheres grávidas em países em desenvolvimento com este problema, contra os 18% das mulheres grávidas em países desenvolvidos.

Segundo uma notícia da Amnistia Internacional, um  outro problema com que este país luta é uma doença conhecida como Prolapso Uterino, que ocorre, quando o útero descai da sua posição normal.  As Nações Unidas estimam que 10% da população do Nepal sofre desta doença, sendo que aparece em jovens de 20 anos e é mais comum em mulheres idosas. Esta doença pode ser causada pela falta de cuidados de saúde, por condições de trabalho muito duras e por gravidezes em idade precoces. A directora do Programa de Género, Identidade e Sexualidade da Amnistia Internacional, Madhu Malhotra, diz que “este é um assunto urgente de direitos humanos. A incidência generalizada no prolapso uterino no Nepal deriva da enraizada discriminação de que mulheres e raparigas são vítimas no país e que os sucessivos governos não conseguiram resolver de forma capaz”.

Perante estas dificuldades, o Nepal tinha uma alta taxa de mortalidade materna, durante o parto. Mortalidade esta que, segundo a Unicef, diminuiu 78% de 1990 a 2010.

De acordo com uma reportagem do jornal The Atlantic, o Nepal é visto como um dos poucos países onde a saúde maternal melhorou muito, apesar de ser ainda perigoso. Tanto o governo do país, como as organizações internacionais têm lutado e com algum sucesso para que isso aconteça. As Nações Unidas criaram o programa “Millennium Development Goals”, para reduzir a morte da mãe no parto em 75%, até o fim do próximo ano.

O governo do país também tenta implementar algumas medidas a favor das mulheres. Implementou um programa que ajudou a diminuir o número médio de filhos por mulher, reduzindo os casos de gravidez. Os gastos com a saúde triplicaram de 2006 para 2011. O aborto foi legalizado e incluído na Constituição de Nepal de 2007, com programas que pagam as consultas e para que as mulheres tenham os filhos em clínicas e centros de saúde.

Apesar destes esforços, ainda nem todas as mulheres beneficiaram deles. Até porque este não é só um problema de saúde. Tem muito a ver com a sociedade, com o problema de igualdade entre os géneros, com os direitos das mulheres. Numa sociedade em que o homem é visto como a “cabeça” da família e a mulher dependente financeiramente dele, esta muitas vezes não tem o poder da escolha.

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Silvia Burlacu

"Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma." Miguel Esteves Cardoso

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