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A gramática do medo, de Maria Manuel Viana e Patrícia Reis

A sinopse (sedutora):

Amigas inseparáveis, Mariana e Sara partilham tudo desde que se conhecem (um curso de teatro e cinema, uma carreira difícil, amigos, ex-namorados, dinheiro e um quotidiano nem sempre fácil), até ao dia em que uma delas desaparece, misteriosamente, durante um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Poucas são as pistas que deixa atrás de si mas, numa demanda que a irá levar a correr mais de metade da Europa, Sara tenta encontrá-la. O que vai descobrindo leva-a a perceber que, afinal, há muita coisa na vida da amiga que desconhece. Porque desapareceu Mariana, que fantasmas a perseguiam, do que quis fugir? Numa viagem simultaneamente interior e geográfica, esta é também a história do desaparecimento do sujeito na civilização actual, da dissociação da vida comum, da fragmentação da memória e da ténue fronteira entre ficção e realidade.

 

Desaparecimentos? Mistérios? Dissociação? Este livro gritava por mim, parecia intenso e profundo. É intenso e profundo, no entanto, foi tão diferente do que eu esperava. Não, não para pior – diferente e bom.

Agora, depois de o ter acabado, pergunto-me que ideia tinha antes. Talvez outro tipo de história, de condução, talvez escrito de forma diferente. Sim, não está feito da forma estruturada ou de policial que eu esperava. Porém, enquanto lia, ia-me surpreendendo por tudo: pela escrita, pela escolha da forma – dois pontos de vista que por vezes se confundiam –, e pelo modo como as engrenagens iam rodando, tudo interagindo e encaixando, a(s) história(s) que iam sendo criadas com o passar das páginas.

Não era (apenas) um mistério, um desaparecimento. Eram segredos, arrependimentos, histórias que incomodavam, camadas difíceis, e psicologia. Acabou por ser muito diferente do que esperava – acabou por ser muito mais do que esperava. Por vezes, tive receio de não estar a compreender bem, com medo de me ter falhado alguma coisa, volta atrás e relia, e depois no fim… mindblow!

Não sei como é que a Patrícia Reis e a Maria Manuel Viana se revezaram na escrita, mas o que quer que tenham feito acabou por ficar e funcionar muito bem. Eu gostei bastante da forma como fui surpreendida.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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