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A Globalização vista com optimismo

Há muito que entrámos num caminho sem retorno, apelidado de Globalização. Desde sempre que sentimos esta tremenda necessidade de criar laços com outros povos. Se, no nosso caso em particular, fomos em tempos invadidos pelos Celtas, Árabes e Visigodos, séculos depois fizemo-nos ao mar e descobrimos a existência de outros continentes. Depois de termos atravessado duas guerras mundiais, uma fria e tantos outros impedimentos políticos, hoje não é exagero dizer que o Planeta não passa, no fundo, de um único país, apesar das excepções

Muitas opiniões contraditórias existem acerca deste assunto. Volta e meia surgem nos meios informativos notícias a dar conta de mais uma manifestação anti-globalização. Os descontentes chamam a atenção para os riscos que corre o ambiente, com o aumento exponencial da industrialização, para a pressão existente em desenvolver grandes quantidades de alimentos para abastecer mercados globais, levando à adopção de métodos de produção nocivos à saúde do Homem, ou ainda para o facto da livre circulação das pessoas provocar fortes tensões culturais.

No meio de tanto pessimismo, há quem veja o fenómeno da Globalização com um olhar diferente. É o caso de Alex Tabarrok, um optimista assumido. Na sua perspectiva, à medida que os muros entre as várias nações se vão desmoronando, o desenvolvimento económico estende-se a mais regiões do mundo, como foi o caso da China, da Índia e até de África (apesar deste ser mais lento), e isso, ao contrário do que se possa imaginar, não é mau. Os países mais ricos, como os Estados Unidos da América (EUA), não têm porque estar assustados com esta mudança. Mais países ricos significa mais oportunidades e mais oportunidades implicam mais ideias a fervilharem pelo bem-comum. Todos nós beneficiamos com isso. Para exemplificar a sua teoria, Tabarrok recorre ao cancro, dizendo que, se a China e a Índia tivessem o poderio dos EUA, os medicamentos contra esta doença seriam oito vezes mais do que são hoje. Felizmente, para lá caminhamos…

Até este capítulo da História, os grandes crânios estavam concentrados nos países desenvolvidos, mas agora tudo está a mudar. Tabarrok arrisca mesmo a dizer que, neste século, vai aparecer um Einstein em África. A globalização está a permitir que a educação chegue a todos os cantos do planeta e isso é fantástico, pois “vai incrementar ainda mais crescimento do que antes”. Ao existirem mercados maiores, há um aumento de produção de ideias, como afirmou este optimista numa palestra para a fundação TED:  uma maçã alimenta um homem, mas uma ideia pode alimentar o mundo”.

Quantos talentos terão sido desperdiçados ao longo dos séculos? Está a dar-se uma revolução diante dos nossos olhos. Agora, os génios não são só americanos. Surgem de todos os pontos do globo. Recordo-me que, em 2013, a Personalidade do Ano para o jornal Público foi Tiago Rodrigues, um courense de 37 anos. Um investigador reconhecido internacionalmente pela descoberta de uma técnica de ressonância magnética para a detecção precoce do cancro. Se o desenvolvimento não tivesse chegado até Paredes de Coura, Tiago Rodrigues não teria ido à escola e nunca saberia do seu talento como cientista. O mais provável era ter seguido os passos dos seus antepassados a trabalhar no campo. Este mesmo artigo é resultado da Globalização, eu, que moro numa aldeia no Minho, se não tivesse tido acesso à educação e a, neste momento, um computador, as minhas palavras nunca chegariam a ti. Não posso deixar de concordar com as palavras de Tabarrok: “se pensarmos na população mundial como um computador gigante, um processador paralelo, então a grande tragédia foi que biliões de processadores ficaram desconectados, durante muito tempo”.

Claro que a Globalização traz consigo novos problemas como a poluição e a produção massiva de bens, mas também traz novas e renovadas soluções, afinal existem mais cérebros a trabalharem pelo mesmo objectivo. O futuro é um mundo interligado e disso não há como fugir. O futuro passa por uma economia à escala mundial mais desenvolvida. Mais optimista para o que aí vem?

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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