ArtesCultura

A fotografia (re)visitada

A paixão sempre caracterizou o caminho da sua evolução. Pelas mãos de um general apaixonado pela fotografia, em plena guerra fria nasceram robustas e fáceis de usar. Acabaram por ser esquecidas, mas, em 1991, dois jovens deram-lhes uma nova vida, enquanto viajavam por Praga. De regresso ao seu país natal lutaram pela implementação da primeira embaixada do produto: 1995 foi, assim, o ano em que nasceu, em Viena, a primeira Embaixada Lomográfica da Europa. A Portugal chegou em 2000 e, desde então, as embaixadas de Lisboa e do Porto não têm mãos a medir.

A cor, a magia e as peculiaridades da Lomografia são vários dos carimbos que marcam este tipo de fotografia. Há quem a sublinhe por ser imprevisível, outros idolatram-na pelo carácter analógico. Dos rolos que se revelam, às surpresas que se descobrem depois desse processo, a Lomografia já reúne uma legião de fãs que colecciona máquinas e segue os seus passos mágicos. Estes artistas por instinto registam, quase sempre, o seu quotidiano, através da lente destas máquinas.

Do cartão ao plástico, dos filtros vermelhos ou azuis, aos verdes e amarelos, das lentes olho de peixe ou das lentes panorâmicas, as possibilidades regem-se para mais infinito. Este laboratório analógico, que a Lomografia engloba, encontra-se num campo paralelo à fotografia digital. Numa era em que a palavra “tecnologia” impera, o passado revisitou-se e a magia do filme de 35 mm ou 120mm voltou às possibilidades dos consumidores. Apesar disso, ainda há muito caminho a percorrer, uma vez que encontrar rolos torna-se cada vez mais difícil e as revelações tornam-se cada vez mais dispendiosas.

“Uma fotografia mais quotidiana, versátil e experimental” é uma das definições que os “lomomaníacos” adoptam para caracterizar a lomografia. Os rolos ao contrário, as diferentes tonalidades dos mesmos, as misturas, as entradas de luz ou mesmo as fotografias estragadas: todas elas são um retrato fiel desta filosofia que manda “disparar sem pensar”. Apesar de se defender uma ausência de técnicas, a verdade é que há muitas formas de captação e revelação da imagem. Os workshops feitos pelas embaixadas, todos os meses, confirmam esta realidade.

Neste encontro entre o rolo e a magia do analógico, com grão e sobreposições, não há forma de olhar o enquadramento certo nem de voltar atrás. Depois do click, o momento fica registado. O papel guarda os olhares por trás da lente e os álbuns de papel vegetal voltam ser usados para arquivar as memórias.

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Ana Guedes

Entre o Porto e Leiria, estou sempre de malas feitas para partir, para ficar ou para conhecer. Apaixonada por letras, cultura, fotografia e o mundo, tenho como fio condutor vital as histórias: as que ouço e quero contar, as que vivo e quero escrever

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