Desporto

A FIFA não gosta mesmo de Ronaldo

O tema que aqui é trazido chateou milhares de portugueses e outros tantos amantes de futebol, ajudando a perceber porque é que Cristiano Ronaldo ainda só venceu uma Bola de Ouro, quando já merecia ter pelo menos umas duas, ou três.

Tudo aconteceu há cerca de duas semanas, quando o presidente da FIFA, Joseph Blatter, teceu comentários infelizes sobre o craque português, ao compará-lo com Lionel Messi, durante um colóquio na Universidade de Oxford. O dirigente começou por dizer que “são ambos jogadores excepcionais”. Até aí tudo bem. O pior veio a seguir…

“Messi é um bom menino que todos os pais gostavam de ter em casa. É um bom homem, muito rápido, não é exuberante, joga bem, sabe dançar… é mesmo um bom rapaz. Por isso é que é tão popular e ganha imensos votos: porque é simpático, joga bem e marca golos. Já o outro [Ronaldo] é como um comandante de um quartel-general”. Foi assim que Blatter se dirigiu aos dois jogadores, numa atitude bastante desprezível e condenável. Não só bajulou o atleta do Barcelona, como ainda mostrou uma enorme falta de respeito por Ronaldo, chamando-o de “outro” e desvalorizando-o enquanto pessoa. Toda a gente sabe que o português ajuda bastante a sua família, então porque é que só o argentino é um bom filho?

O alto dirigente da FIFA foi ainda mais longe e referiu que “um tem mais despesas com o cabelo do que o outro”. O que tem isso a ver com o futebol? Cada um pode gastar o dinheiro onde quiser. A maior parte dos jogadores tem bastante cuidado com a sua imagem e ninguém diz nada. O Messi pode não ter grandes cuidados com o cabelo, mas certamente que tem outras extravagâncias. Então, porque é que ninguém faz um comentário sobre isso? Porque ninguém tem nada a ver com a vida pessoal de cada um, pelo que, nesse sentido, o respeito deve ser direccionado para ambos os lados.

Como se este episódio infeliz não bastasse, o próprio organismo voltou à carga nesta semana, privilegiando publicamente Messi mais uma vez. O órgão que rege o futebol mundial traçou um perfil dos 23 candidatos à Bola de Ouro que foi tudo menos parcial. Eis o que a FIFA escreve sobre o craque do Real Madrid: “2013 foi mais um ano repleto de golos para Cristiano Ronaldo. O astro português apontou 34 tentos na liga espanhola em 2012/13 – apenas superado pelos 45 de Messi – e muitos mais nas competições europeias e pela selecção portuguesa”.

Leia-se agora o que o mesmo organismo escreve da estrela argentina: “Depois de alcançar uma inédita quarta Bola de Ouro consecutiva, o jogador do Barcelona não descansou o seu instinto goleador, tendo mesmo alcançado a liga espanhola em 2012/13 e sido o melhor marcador da competição. Para além disso, foi segundo na tabela de artilheiros na qualificação sul-americana para o Mundial 2014, prova em que participará pela terceira vez na sua carreira. O génio atacante ameaça quebrar uma nova marca e tornar-se, aos 26 anos, no melhor marcador de sempre da Liga dos Campeões”.

Maior descrição parcial do que isto não há… Não é que o Sr. Blatter, ou a FIFA não tenham direito a ter uma opinião formada. Não é isso que está em causa, mas sim a forma e o modo como o expressam. Trata-se de um órgão supremo do futebol mundial que deve ser imparcial e ter cuidado com as mensagens que passa, ainda para mais com um dos melhores e mais conceituados jogadores do Mundo.

Este facto é indiscutível e os números falam por si: 348 golos em 541 jogos (no Sporting, Manchester United e Real Madrid), 13 títulos colectivos (um Campeonato do Mundo de Clubes, uma Liga dos Campeões, uma Liga Espanhola, uma Taça do Rei, uma Supertaça de Espanha, três Ligas Inglesas, uma Taça de Inglaterra, duas Taças da Liga Inglesa e duas Supertaças de Inglaterra) e quatro prémios individuais (uma Bola de Ouro France Football, uma Bola de Ouro FIFA e duas Botas de Ouro). Ronaldo é ainda uma das cinco celebridades com maior impacto mediático a nível mundial, seja nas redes sociais, na televisão, ou até na moda (vertente onde lançou recentemente uma linha própria de roupa interior, algo que só está ao nível de Beckham).

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Nélio Moreira

Tenho 24 anos e sou mestre em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. A área que mais me agrada é o desporto. Adoro escrever sobre qualquer modalidade, embora dê um maior destaque ao futebol, pelo que o jornalismo desportivo é uma vertente à qual vou estar sempre ligado.

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