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A Felicidade aos olhos da Ciência

Não estamos satisfeitos. A verdade é que somos mais ricos e mais saudáveis do que em qualquer outra época da história da Humanidade. Devíamo-nos sentir felizes, mas não é o que diz a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo este organismo, a depressão tornou-se um dos maiores problemas de saúde pública a nível mundial. Encontrar a felicidade é uma prioridade na Era Pós-Moderna. Não foi por acaso que, em 2000, o Prozac (- pílula da felicidade) obteve lucros de 2,6 bilhões de dólares.

Surpreendentemente, a Ciência diz-nos que o segredo para atingir o bem-estar são as actividades que nos colocam à prova. A felicidade duradoura não é apenas fazer aquilo de que gostamos. É necessário testarmos os nossos limites. Ir além da nossa zona de conforto. Foi o que concluiu um estudo levado a cabo em 2007 pelos psicólogos americanos Tood Kashdan e Michael Steger, junto de um grupo de estudantes, durante 21 dias. Os que diziam sentir curiosidade, estavam mais satisfeitos com a vida, levando-os a envolver-se em mais actividades, que, por sua vez, os conduziam à felicidade.

Na óptica de Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, que estuda este assunto há mais de vinte anos, “é difícil dizer o que é [a felicidade], mas sei quando eu a vejo. É simplesmente sentir-se bem. A felicidade não é uma sensação eterna, é um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de extremo prazer”.

Esmiuçando a questão, a felicidade resulta da combinação entre a satisfação que obtemos, durante um longo período de tempo, e a ausência de sentimentos negativos, como são a tristeza e a raiva. O estado pleno de uma pessoa não se resume apenas à falta de emoções desagradáveis, necessita de sensações prazerosas.

Nicholas Christakis, pesquisador da Universidade de Harvard, vai mais longe, dizendo que a felicidade não depende somente das nossas próprias escolhas e acções, mas também de quem nos rodeia. Uma pessoa feliz pode melhorar o humor do companheiro, de um irmão, dos amigos, dos vizinhos e por aí adiante. A este processo, Christakis chama de “efeito ressonante”, capaz de aumentar o grau de satisfação pessoal até 34%, durante um período dum ano. O cientista político James H. Fowler, da Universidade de Califórnia, concorda: “durante muito tempo, medimos a saúde de um país olhando para o seu Produto Interno Bruto (PIB), mas, por incrível que pareça, se o amigo de um amigo de um amigo seu fica feliz, isso tem impacto na sua felicidade”.   

Mais do que um objectivo pessoal, a felicidade significa saúde. Uma boa saúde mental traduz-se em pensamentos e sentimentos positivos sobre nós próprios. Como se sabe, a mente tem influência, directa ou indirectamente, sobre o corpo, logo, quanto melhor for a nossa saúde mental, melhor será a nossa saúde física. Exemplo disso é quando estamos tristes – os olhos e a cabeça inclinam-se para baixo, os ombros ficam arriados e os cantos da boca caem. A respiração torna-se superficial e os movimentos lentos.

Há muito que a Ciência fala dos inúmeros benefícios da felicidade no organismo. Melhora a imunidade, diminui o risco de infecções, evita a depressão, previne doenças cardiovasculares, auxilia no tratamento do cancro e doenças em geral, combate o envelhecimento cerebral, favorece a perda de peso, ajudando na luta contra a obesidade, entre outros.

Segundo a psicóloga e especialista em psicologia positiva, Maria do Carmo, a felicidade é na sua essência valorizar o que se tem. “A maioria das pessoas tem tendência para se focar no que não tem e esquecem-se de valorizar as coisas boas que ainda tem na vida. Todos nós, neste momento, temos imensas coisas pelas quais nos devemos sentir gratos, entre elas, saúde, uma família, uma casa, amigos, uma fonte de rendimento… São pequenas coisas, mas que são muito importantes para nós e que, por vezes, só valorizamos quando as perdemos”. A especialista acrescenta que “recordar o que a nossa vida tem de bom, faz-nos sentir mais confiantes, mais confortáveis e, inclusive, dá-nos alento para enfrentar momentos de adversidade”.

Vamos arregaçar as mangas e tratar de ser felizes, independentemente das teorias. O segredo reside dentro de cada um de nós.

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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