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CulturaMúsica

A fantasia reaparecida de Damien

O Damien Rice voltou. Depois de um longo hiato de oito anos, o músico irlandês lançou o seu terceiro álbum de estúdio, My Favourite Faded Fantasy, no final de 2014.

Para quem, como eu, ansiava por este regresso, já é permitido respirar de alívio: a nova etapa de Rice volta a assegurar a qualidade lírica, vocal e melódica, tal como nos dois álbuns anteriores. Mesmo sem a sua companheira musical de longa data – Lisa Hannigan -, continua a existir algo de incrivelmente bom e diferente naquilo que ele faz.

Admito: é difícil voltar a pegar num álbum destes, tão acústico e melódico, quando se pressente que vamos notar a ausência da nuance que uma voz feminina oferece, quando trabalhada lado a lado com o timbre cru de Damien. Acima de tudo por se tratar de Lisa, alguém que já fazia parte do seu reportório, tanto quanto as suas músicas. Porém, a verdade é que My Favourite Faded Fantasy tem tanto de intenso como de calmo, à semelhança de O (2002) e 9 (2006). A diferença é que, depois de estar oito anos sem lançar material novo, ouvimos agora um Damien Rice mais maduro, com letras (ainda) mais introspectivas, onde recebemos, no meio de tantas outras coisas, uma autoavaliação incansável do artista. De dentro para dentro, dele para si mesmo, e, depois, para fora, para o público. “The box” e “The Greatest Bastard” são dois bons exemplos de estórias que se assemelham a uma pequena autobiografia, nas quais Rice expressa algumas frustrações e as suas causas e efeitos, em si mesmo (na “The Box”) e nos outros (na “The Greatest Bastard”).

O clímax quase utópico que sempre caracterizou as faixas do compositor irlandês continua a ser um dos traços que mais o distingue. “Trusty and true” e “Colour me In” são duas das faixas que ilustram isso mesmo: ao longo dos seus mais de cinco minutos, ambas vão crescendo em presença vocal e em peso melódico. Há uma musicalidade que se vai acumulando e que culmina num êxtase quase que apocalíptico.

Simultaneamente, ouvimos agora outras tonalidades da voz de Damien. Na faixa que dá nome ao álbum, My Favourite Faded Fantasy, ouve-se um registo quase sussurrado, à semelhança de um falsete permanente, como se de um suspiro cantado se tratasse. É, talvez, a faixa mais inovadora e surpreendente no que toca aos seus atributos vocais. Porém, não se deixem enganar: todas as faixas do álbum, da primeira à oitava, merecem ser ouvidas.

Foi um regresso muito ansiado e, agora que finalmente o podemos ouvir, sabemos que a fantasia de Damien está de volta. Aquele mundo transcendente, com a típica vibe singer/songwritter, mas que marca a diferença no seu cantar sempre melancólico, sempre nostálgico, mas, ao mesmo tempo e até agora, sempre bom. Esperemos que não se passem de novo oito anos até que haja mais um álbum de Damien Rice para ouvir.

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Liana Rego

Licenciada em Jornalismo. Estudante de Mestrado na Universidade do Porto. Feminista convicta. Vegana. Apaixonada: por música, por cinema, pela Arte de revolucionar.

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