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A (Euro)Visão de Conchita

Confesso, sou uma adepta fervorosa da Eurovisão. Desde criança que fico colada ao ecrã, a vibrar com as grandes músicas, a divertir-me com as mais cómicas e, tenho que admitir, às vezes até dou um passo de dança. É para mim o EVENTO e este ano não podia ter sido mais especial e não é porque Portugal regressou ao grande palco da Europa, mas sim, porque, pela primeira vez, assisti a uma final de elevada qualidade, feita de diversidade musical e melhor que tudo, o preconceito foi barrado, graças à magistral actuação de Conchita Wurst. Pena que o mesmo não tenha acontecido em termos políticos, mas já lá vamos.

Portugal, ao jeito pimba de Emanuel, contra todas as polémicas, foi a única música da primeira semi-final a ser aplaudida do início ao fim. Acho que é necessário louvar esse facto, assim como toda a recepção positiva que “Quero ser tua” de Susy obteve no estrangeiro. Cheguei a ficar na dúvida se passaria, ou não, e de facto sabe-se agora que só não passou por um ponto. Se tem dúvidas, convido-o a dar uma espreitadela aos comentários expostos no Youtube. Eu própria, à imagem de tantos outros portugueses, não fiquei nada satisfeita com a escolha. Na minha opinião, o tema peca por ser tão repetitivo, para não falar do vazio da letra e de toda a indumentária no geral. Continuo a achar que a nossa melhor prestação pertence a Vânia Fernandes, em 2008. Não foi por acaso que nesse ano vencemos três prémios: “Melhor Intérprete”, Melhor Canção” e “Melhor Música”. Foi, portanto, natural, na minha opinião, a não passagem de Portugal para a final, face à elevada qualidade da concorrência. Só fiquei com pena de não constar no lote de finalistas a Bélgica. A voz de “Mother” merecia um final bem mais feliz.

Apesar da ausência de Axel Hirsoux, foi uma final excitante do início ao fim. Poucas foram as músicas que não me tocaram. Logo a começar a muito bem trabalhada actuação de Maria Yaremchuk, que pôs de imediato o público na arena em êxtase. Acredito que um dos picos da noite se tenha dado com a carismática actuação da Polónia, fruto do avantajado decote de uma das polacas. E se o público na Dinamarca queria pular e dançar não faltaram opções. Desde as divertidas músicas da Bielorrússia, da França, da Islândia, até aos “hits” electrónicos da Grécia e da Roménia, certo é que diversão não faltou. Se a dança é uma tendência indiscutível na competição dos últimos anos, uma Eurovisão sem baladas não é a mesma e, no que toca a isso, o leque foi de elevada qualidade, não fosse precisamente uma balada a vencer. Foi o caso de Montenegro, da Suécia que ficou em terceiro lugar, do Azerbaijão, da Espanha, da Eslovénia e de tantas outras, que embalaram a Eurovisão de 2014.

Portugal até pode ter ficado fora da final, mas isso não significa que a nossa bandeira não tenha subido ao palco no dia 10. A performance das belíssimas gémeas da Rússia contou com a participação do luso Rui Andrade, que, caso não tenhas acompanhado, foi um dos concorrentes do Festival da Canção deste ano, com o tema “Ao teu encontro”. Graças a essa actuação, foi convidado pela Rússia a juntar-se à competição. Pena que, apesar de todo o talento indiscutível com que este país se apresentou na Dinamarca, tenha sido tão assobiado, em consequência do impasse com a Ucrânia dos últimos tempos. Assim como o preconceito, defendo que a política deva ficar do lado de fora da Eurovisão. Foi para mim o único aspecto negativo da noite.

Afinal foi a noite de Thomas Neuwirth, ou de Conchita Wurst, como preferir. Apelidada de “mulher barbuda”, provou que o talento desta Europa do séc. XXI se sobrepõe ao preconceito. “Rise Like a Phoenix” era a mais aguardada da noite. Os aplausos foram aos milhares. Conchita encheu o palco com a sua energia, emoção e garra. Mostrou que as grandes vozes muitas vezes se escondem nas pessoas mais inesperadas. A aposta da Áustria foi inteligente. A propaganda feita em torno da “mulher barbuda” foi notória em todos os órgãos de comunicação social, bem antes do início da competição. A curiosidade foi sem dúvida um trunfo a favor, mas não duvido que a vitória se deveu à poderosa actuação apresentada. É unânime: a Eurovisão deste ano fica para a história. No próximo ano, será a Áustria, pela segunda vez, a anfitriã. Fico a aguardar. Só espero que na edição de 2015 mais países optem pela sua língua materna, este ano só foram quatro: Portugal, Itália, Inglaterra e Montenegro. Enquanto espero, deixo-te com as que são, na minha opinião, as quatro melhores músicas deste ano.

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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