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A efemeridade do tempo

Estamos constantemente sem tempo. Em todo o lado se ouve alguém dizer que o tempo passa demasiado depressa, que um dia devia ter 48 horas e que não há tempo para tudo. Quando nos referimos ao facto de não termos tempo para as coisas, esquecemo-nos que não temos tempo para as coisas mais importantes.

Em que é que gastamos o nosso tempo no dia a dia? Grande parte dos nossos dias são passados no trabalho, na faculdade ou na escola. Chegamos a casa e temos tarefas diárias que não podem ser dispensadas. Temos de estudar, de limpar a casa ou de cuidar dos filhos. Passamos a vida a correr de um lado para o outro, colocando sempre como prioridade aquilo que nos dá o sustento de todos os dias: o trabalho.

Apesar de ser importante, o trabalho não é, no entanto, o mais essencial. Há uma frase que diz que as melhores coisas são de graça. A verdade é exactamente essa: estar com a família, com o companheiro ou companheira, com os amigos, rir, ver um filme, festejar uma vitória, dedicar tempo àquilo que gostamos realmente de fazer e a hobbies que ficam para segundo plano deveria ser, realmente, a nossa prioridade. No entanto, e porque a vida nos consome e o trabalho é necessário, não fazemos destas coisas a nossa principal ocupação.

Com o stress do trabalho e as horas que ele nos ocupa, e acrescentando os afazeres em casa, o tempo que nos sobra é para comer ou dormir. O mais importante fica, é certo, de parte. O que podemos fazer para melhorar esta situação? Podia tentar indicar soluções muito avançadas, mas nem eu mesma sei o que fazer para que o tempo estique ou para que, pelo menos, consigamos aproveitar melhor o pouco tempo que temos.

Sempre me disseram que há tempo para tudo. À medida que fui crescendo e que as responsabilidades se foram acumulando percebi que não é bem assim. Há tempo para tudo, mas apenas quando abdicamos de algumas coisas de vez em quando, em detrimento de outras. Não nos é possível, enquanto seres humanos, trabalhar um dia inteiro, tratar dos assuntos da casa, cuidar dos filhos ou estar com outros familiares e, depois de tudo isso, dedicar tempo a um hobbie do qual gostamos ou a uma série de televisão que queremos começar a ver há tanto tempo. Depois das responsabilidades, a nossa vontade é apenas uma: descansar. E, para não descurarmos o descanso, abdicamos de coisas que nos fariam bem por nos agradarem.

Por isso, e porque o tempo é escasso e nem sempre nos permite apostar nas coisas que gostamos realmente de fazer e nas pessoas com quem gostamos de estar, acho que o melhor será adoptar a máxima de José Saramago, “não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”.

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Joana Veríssimo

Licenciada em Jornalismo e Comunicação e com uma paixão enorme pela escrita.

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