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A Ditadura da falta de Amor

Na passada segunda-feira, Uma Thurman tornou-se o assunto mais falado nas redes sociais, elevando-se no dia seguinte ao topo das pesquisas, segundo o Google Trends. Tudo, porque surgiu na estreia da mini-série The Slap, em Nova Iorque, de face irreconhecível. Rapidamente se elevaram os comentários sobre uma suposta operação plástica, criticando e apontando o dedo, fazendo comparações com Renée Zellweger, com um caso semelhante há poucos meses.

Após tanta suspeita e depois de aparecer no Today, com a face exactamente igual à que tinha sido fotografada em Dezembro passado, Uma Thurman, tal como o seu maquilhador antes dela, sem grandes alaridos, disse apenas que tinha sido uma maquilhagem diferente, brincando e dizendo: “Acho que ninguém gostou da minha maquilhagem”.

Este é mais um caso que levanta uma questão importante, a da verdadeira ditadura da imagem que temos vivido há mais de duas décadas, nomeadamente com o crescimento da indústria da moda nos anos 90 e o aparecimento daquelas que foram chamadas as supermodels. Inúmeros conceitos de beleza foram surgindo e crescendo, moldando as mentes das sociedades, nomeadamente colocando sobre as mulheres uma imposição conceptual que tem vindo a ser criticada de forma crescente nos últimos anos.

Seja de forma social, ou até mesmo profissional, a imagem tornou-se algo excessivamente importante, demasiado discriminatório, sendo, embora muitas vezes de forma encapotada, factor eliminatório em escolhas de candidatos a um determinado emprego. Não só em termos profissionais, mas também num campo mais social, passámos a procurar uma imagem mais ajustada àquilo que a sociedade nos “exige”, muitas vezes vemos pessoas a criticar outras pela forma de vestir, de se arranjarem e pelo seu corpo.

Sem dúvida nenhuma que a franja da sociedade que mais é afectada por esta, ainda, ditadura da imagem é, precisamente, a das mulheres. À mulher do final do século XX e do início deste passou a ser exigido um nível conceptual de beleza que fez disparar o culto pelo corpo, o vício pela operação cirúrgica de suposta correcção e o fanatismo pela imagem no seu global.

A constante exigência em termos de imagem impõe à sociedade um peso da não aceitação, da insuficiência e da crítica. Deixámos de ver o interior para olhar para o exterior, numa tentativa vã de sermos aceites e integrados nos grupos em que achamos que pertencemos. Isto leva-nos a uma questão muito mais profunda, que nos revela que, na realidade, vivemos numa sociedade, nomeadamente em termos ocidentais, com níveis de auto-estima e amor-próprio muito baixos, derivados principalmente dos nossos ritmos de vida e da falta de emoções que temos uns pelos outros, a tal sociedade materialista que falava na última crónica.

Ao eliminarmos as emoções, passámos a viver pelos sentidos mais básicos, tornando-nos, na realidade, seres muito mais primitivos do que evoluídos. Curioso, não é? Quem se comporta pela efusão da imagem? Precisamente os animais, que procuram um proliferar da espécie. Os machos elevam a sua imagem para galantear as fémeas e vice-versa. Na realidade, quando vivemos na ditadura da imagem, sob a capa de uma evolução social, vivemos na realidade um decréscimo. Não que a imagem e o corpo sejam de desprezar, sem dúvida, mas a verdade é que se estivermos bem connosco, tudo o resto se ajustará, pois saberemos cuidar, no verdadeiro sentido da palavra, de nós mesmos.

Numa sociedade que gasta mais dinheiro em anti-depressivos, medicamentos para questões psiquiátricas e suplementos para emagrecer do que em frutas e legumes, em diversão e bem-estar, há certamente algo que não estará a funcionar em pleno. Dá que pensar.

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Leonardo Mansinhos

Nasci em Lisboa em 1980 sob o signo de Virgem e com Ascendente Capricórnio. Quando era pequeno descobri uma paixão por música, livros e por escrever. Licenciei-me em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE e trabalhei durante quase uma década nas áreas de comércio, gestão e, principalmente, Marketing, mas desde muito cedo interessei-me pelo desenvolvimento espiritual. Comecei como autodidacta há mais de uma década em diversos temas esotéricos, nomeadamente em Astrologia, e, mais tarde, descobri no Tarot uma verdadeira paixão. Hoje dedico-me a esta paixão através das consultas de Tarot e Astrologia, assim como de formação, palestras e artigos nas mesmas áreas. Em 2009 co-fundei a Sopro d'Alma, um espaço de terapias holísticas e complementares, dedicado ao ser humano e onde dou as minhas consultas, cursos e palestras. Procuro, acima de tudo, ser um Ser todos os dias melhor, pondo-me ao serviço da sociedade através de tudo o que sou.

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