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À distância de um tiro

Após anos, séculos, milénios de evolução a raça humana continua a promover a violência, a desigualdade, a iniquidade, a chica espertice, a inveja e, principalmente, a Guerra. A Guerra está na ordem do dia, semana após semana, ano após ano. Mantêm-se umas, acabam-se outras e criam-se as que se conseguir. Seja religiosa, territorial, económica, guerra é Guerra e enriquece muita gente, move muito capital e tem um peso estrondoso na economia mundial.

Acho que o presságio da 3.º Guerra Mundial já é quase um fait-divers de tantas vezes que é invocado. Agora foi a vez do Papa Francisco dizer algumas palavras sobre o assunto face à incontornável tomada de posse de Trump como Presidente dos EUA. Não me levem a mal, porque tenho muita estima e consideração pelo Papa Francisco, mas por tantas vezes já tivemos no início ou na eminência desta malfadada Guerra que por mim avisem-me só quando terminar.

Hoje, assistimos a uma crescente militarização das sociedades em detrimento das condições sociais e dos direitos humanos. Compare-se o orçamento da Defesa de vários países face ao investido no combate à precariedade e ao desemprego e talvez tivéssemos uma escapatória ao crescente populismo.

Guerra é guerra! E não me venham com as tangas dos alvos estratégicos, porque depois vemos hospitais a serem bombardeados, não me venham com a cartilha dos direitos humanos e com os crimes de guerra, porque quem está lá para proteger as vítimas? Quem? O seu inimigo, claro, nós já somos tão generosos para o nosso amigo quanto mais para o inimigo. Não chega ter uma cartilha de direitos humanos e Convenção de Genebra temos de lutar e defender todos os dias estes documentos. As palavras escritas têm significado, mas precisam de ser lidas e em voz muita alta para serem por todos escutadas.

E os drones? Dizem que aliam o baixo custo e a fiabilidade, mas para mim são o pior… dão a sensação de videojogo, de não ser real, promovendo o distanciamento de emoções e do impacto que bombardeamentos sucessivos deveriam ter em quem os opera. Deve ter sido por isto que o Barack carregou em força com este tipo de ataques. Não exigem mobilização de tropas e por isso dão menos nas vistas, mas os estragos, esses são imensos.

Dr. Martin Luther King disse um dia que “uma nação que continua ano após ano a gastar mais dinheiro na defesa militar do que em programas sociais está a aproximar-se da morte espiritual.” Infelizmente, esta frase pode ser aplicada não só a um país, mas a todo o Mundo, é um espelho da nossa realidade. Em 1967, Martin Luther King anunciou o fim da democracia, caso persistissem nas nossas sociedades o racismo, o materialismo e o militarismo.

O que é feito da Prosperidade, da Igualdade, da Equidade e do Respeito pela Condição Humana? Como é que em 2017 temos pessoas a morrer à Fome, sem cuidados médicos, sem acesso a saneamento básico ou a água potável? Alguém me explique? Com tanto capital, know-how e Tecnologia, como é que não olhamos pela Humanidade?

As lutas de classes estão longe do fim e, quando sabemos que 8 homens têm o mesmo capital que as 3 356 biliões de pessoas mais pobres, temos a certeza que o abismo está à espreita. Chamem-lhe o que quiserem, revolta, ruptura, motim o que for, o certo é que está eminente.

As lutas de ontem são as lutas de hoje e serão as lutas de amanhã.

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Joana Duarte

Sou uma eterna estudante de Jornalismo, uma vez que o curso ainda está para ser terminado, escrevo por gosto e em forma de desabafo. Em jeito de conversa e sem pretensões espero dar-vos a minha visão do meu/nosso Mundo.

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