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A Criança de Fogo, de S. K. Tremayne

Neste momento, a Topseller / 20|20 é, muito provavelmente, a editora que publica os melhores thrillers. E A Criança de Fogo, de S. K. Tremayne é mais uma excelente aposta.

Na capa, indicam logo que é para o público do livro A Rapariga no Comboio e eu concordo. Na contracapa, a sinopse é irresistível:

criancadefogo_1Ao casar com David, Rachel sente que a sua vida se aproxima da perfeição. Troca a agitação londrina pelo vale encantador de Carnhallow, na Cornualha, e encontra, finalmente, paz e um amor vibrante, além de se tornar madrasta de uma criança adorável, Jamie. 

Mas cedo se desvanece o cenário idílico. Jamie demonstra comportamentos estranhos, fazendo previsões alarmantemente reais, e revelando que Nina, a sua falecida mãe e primeira mulher de David, ainda vive entre eles, naquela casa. 

Assombrada por esta história e pelos seus próprios fantasmas, Rachel começa a remexer no passado pesaroso daquela família… Qual a verdade sobre o acidente mortal de Nina? Será que David mente? E se sim, porquê? Quando o verão termina e se aproxima dezembro, Rachel começa a temer a veracidade das palavras de Jamie: Tu vais morrer no dia de Natal. 

Adorei perceber que nada do que parece é. Nada. Até ao fim.

Gosto de acompanhar a história e tentar “investigar”, fazer as minhas perguntas, voltar atrás e ler momentos-chave. Pensei em várias respostas, imaginei vários cenários, pensei que seria o típico thriller com um tema já abordado várias vezes e estava curiosa para saber como abordariam desta… e depois não era nada do que pensava. Todos os meus palpites estavam errados. Todos os meus passos foram dados em falso. E eu adorei. Adorei compulsivamente – não conseguia largar e em três dias estava lido (e só porque tinha de trabalhar, senão…).

O autor sabe levar-nos por caminhos que nos fazem imaginar o pior, só que afinal não é nada disso. Ou imaginar o melhor e depois está tudo errado. Sim, foi mesmo isso que senti. A história, os segredos, as respostas: não é nada daquilo a que estamos habituados – pelo menos, eu não estou. E é tão agradável! É um livro pesado que aborda vários temas e histórias complicadas, sem parecer forçado, e embora nos obrigue a mergulhar num ambiente sinistro, louco, inexplicável e paranormal, no fim emergimos onde não esperávamos: num lugar diferente e imprevisível.

Sim, a melhor palavra para o descrever é: imprevisível. Deliciosamente imprevisível.

Quero dizer mais, quero dizer tudo aquilo que me espantou, mas não quero estragar a leitura. Espero que o leiam a pensar que conhecem tudo e que vão adivinhar tudo – como eu, com muita arrogância – porque serão ainda mais surpreendidos e isso é mesmo, mesmo prazeroso.

Obrigada, mais uma vez, à Topseller / 20|20, que me faz viver de forma intensa cada livro que leio.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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