Desporto

À conquista do Brasil

O ano de 2014 vai ficar indubitavelmente marcado pelo Mundial do Brasil e, como não poderia deixar de ser, farei uma análise a todos os grupos e àquilo que poderá ser esta competição.

Comecemos por Portugal. Depois de Nuno Álvares Cabral ter descoberto este país em 1500, os portugueses voltam a terra de Vera Cruz para conquistar de novo o Brasil, ou pelo menos, tentar. Porém, a tarefa não se avizinha muito fácil, visto que os jogadores nacionais terão pela frente um osso bem duro de roer: a Alemanha. Já não bastava ter de obedecer às regras e aos desejos de Angela Merkel, como agora ainda nos calhou em sorte no Grupo.

Este é o adversário mais difícil do Grupo G. Basta dizer que é a segunda selecção do ranking da FIFA e que não averbou nenhuma derrota na fase de apuramento (embora tivesse calhado num grupo acessível, em que só a Suécia podia causar mossa), tendo sido mesmo a equipa mais concretizadora desta fase. Depois tem também uma equipa temível com individualidades capazes de fazer a diferença. Mesut Ozil é a estrela da companhia. O jogador do Arsenal é fantástico com os pés e não só faz golos como faz passes extraordinários para os colegas. É um génio à solta e é preciso ter muito cuidado com ele. Contudo, não é só Ozil que é perigoso. Toda a armada do Bayern é mortífera e nomes como Lahm, Toni Kroos, ou Thomas Muller metem respeito a qualquer defesa, já para não falar em Manuel Neuer, um dos melhores guarda-redes da actualidade.

Tirando a Alemanha, a equipa das quinas tem perfeitas condições para terminar em segundo, isto porque os outros adversários são o Gana e os Estados Unidos da América. Começando pelos africanos. São talvez o adversário mais fraco. Precisaram de ir ao playoff para se apurar. Fazem-se valer do poderio físico e da força do meio-campo, nomeadamente de jogadores como Muntari, ou Michael Essien. Os avançados e laterais são rápidos, mas não têm muita técnica. É um rival acessível. Quanto aos norte-americanos, são uma equipa matreira no contragolpe, melhoraram bastante com Klinsmann e contam com bastante experiência no plantel. Tim Howard, Onyewu (ex-Sporting), Clint Dempsey, Jermaine Jones, Landon Donovan e Beasley são alguns exemplos. A juntar a isto, há o facto de terem ganho a Portugal no Mundial de 2002. Contudo, as equipas não podem ser comparadas e as individualidades portuguesas têm qualidade mais que suficiente para vencer, pelo menos, estes dois jogos. Ainda por cima Portugal joga o primeiro jogo com a Alemanha. Em caso de desaire, a selecção tem os outros dois encontros para dar a volta à situação.

É claro que tinha sido melhor ter calhado num Grupo E (em vez da França, com Suíça, Equador e Honduras), ou num Grupo H (em vez da Rússia, com Bélgica, Argélia e Coreia do Sul), tudo equipas sem grande expressão e experiência internacional, com excepção dos coreanos. Porém, também é verdade que podia estar num Grupo B (com Espanha), ou D (com Inglaterra ou Itália) e aí seria pior. Portanto, nem acaba por ser um mau sorteio para Portugal.

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Olhando para o resto dos Grupos e no que toca a favoritos, constata-se que o Brasil tem uma tarefa fácil (não se pode dizer que Croácia, México e Camarões sejam adversários temíveis), a Espanha tem um grupo interessante (em conjunto com a Holanda, que renasceu após o Euro pelas mãos de Van Gaal e tem um nome de respeito – o goleador Robin van Persie -, o Chile, que junta uma mistura de jovens talentosos e jogadores experientes como Pinilla, Matías Fernández, ou Pablo Contreras, que já passaram curiosamente pelo futebol português, e a Austrália, talvez a selecção mais fraca) e a Argentina tem um grupo acessível (com a estreante Bósnia, o Irão, de Carlos Queiroz, e a Nigéria, que nada tem a ver com aquilo que foi, sobretudo, nos anos 90).

Os últimos destaques vão para os grupos D e E. O Grupo D é o mais equilibrado deles todos. Afastando a Costa Rica da luta restam Itália, Inglaterra e Uruguai. Três selecções que se equilibram em forças e que prometem dar espectáculo até ao final. Embora se pense que italianos e ingleses são os grandes favoritos, muito por causa da história, penso que não se deve descurar os uruguaios. Os sul-americanos jogam um futebol atractivo, de ataque e têm jogadores interessantíssimos, capazes de fazer a diferença a qualquer altura. Basta salientar o trio luxuoso de ataque composto por três homens golo: Luis Suárez, Cavani e Diego Forlán. Depois, ainda há a garra de Maxi Pereira, ou Cristian “Cebola” Rodríguez.

Por fim, destaco o Grupo E e aqui dou os meus parabéns à FIFA, que, mais uma vez, arranjou maneira de ajudar a querida França. Não sei se houve mão de Platini, mas a verdade é que a selecção francesa foi retirada de um pote onde, na teoria, iria calhar num grupo complicadíssimo (visto que não era cabeça-de-série) e acabou por ser beneficiada com um sorteio facílimo, em que seria o cúmulo se mesmo com estes adversários modestos (Suíça, Equador e Honduras), a equipa de Deschamps não conseguisse passar.

 À conquista do Brasil_1

Feita a análise (e antevisão) resta agora esperar pelo início do Mundial, a 12 de Junho, e ver o que este nos reserva. Quem sabe se a previsão que o diário desportivo argentino Olé faz não se concretiza e Portugal conquista o Campeonato do Mundo ao vencer na final, curiosamente, a Alemanha. Seria um momento para nunca mais esquecer e a vingança sobre os alemães ficaria consumada.

Desejos para 2014

Como estamos numa época em que todos nós acabamos por fazer os nossos próprios desejos para o próximo ano, eu deixo aqui os meus no que consagra ao desporto. Como não quero ser abusador peço apenas quatro: Portugal campeão do Mundo (embora este seja um pouco utópico), Benfica campeão nacional (ou que pelo menos não termine a época de mãos a abanar – e não incluo neste rol uma eventual conquista da Taça da Liga), Rui Costa vencedor do Tour (vai ser chefe de fila e não vão existir tantos finais em alto, quem sabe se pelo menos não alcança um top 10) e um vencedor no Dakar (sei que será mais fácil nas motos, modalidade onde já esteve perto de acontecer, quem sabe este não será o ano).

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Nélio Moreira

Tenho 24 anos e sou mestre em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. A área que mais me agrada é o desporto. Adoro escrever sobre qualquer modalidade, embora dê um maior destaque ao futebol, pelo que o jornalismo desportivo é uma vertente à qual vou estar sempre ligado.

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