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A complexidade da mente criminosa

“Mentes criminosas”, “Perception” e “O Mentalista” são alguns dos programas televisivos norte-americanos que abordam a tematica da complexidade da mente criminosa e que tentam perceber o que leva um individuo a cometer um acto de violencia. Ainda que fictícias, estas séries espelham uma realidade muito próxima dos EUA, que, de tempos a tempos, são notícia por mais um massacre ter vitimado várias pessoas depois de um tiroteio. Recentemente, o tiroteio num cinema em Aurora, no estado do Colorado, na estreia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Renasce, protagonizado pelo jovem James Holmes, de 24 anos, voltou a chocar o mundo e instigou, novamente, o debate na sociedade americana sobre o que leva um jovem a cometer tal acto.

Num artigo publicado em Julho, na CNN, logo após o incidente, por Jeffrey Swanson, professor em psiquiatria e ciências do comportamento, explica que, quando surge um acontecimento desta natureza, as especulações sobre as razões que conduziram a esta situação proliferam e quase todos têm um ponto em comum: distúrbios psicológicos. Segundo Swanson, apesar de, em alguns casos, a vertente psicológica desempenhar um papel determinante para explicar as causas de tais atrocidades, os estudos científicos disponíveis demonstram que a maioria dos actos de violência não são motivados por uma condição psicológica como a esquizofrenia, depressão ou bipolaridade. Por isso, as teorias que um possível distúrbio mental explica o acto de violência de Holmes e outros “jovens problemáticos” são pouco para realmente entendermos a complexidade da mente humana.

Porém, o autor chama a atenção para outro problema que esta questão levanta e que divide a opinião-pública norte-americana. “O que não deve ser obscuro é o quão fácil é para jovens problemáticos legalmente adquirirem um pequeno arsenal de armas de fogo nos Estados Unidos”. O direito à posse privada de arma nos EUA é praticamente um dado adquirido. Previsto na Constituição, na Segunda Emenda Constitucional, a lei defende que, “sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido”.

A noção de liberdade individual é um traço que define na perfeição a identidade norte-americana, que em nome dela permite leis que na cultura europeia podem causar alguma estranheza. Independentemente dessas questões, o autor relembra que, “se Holmes não tivesse sido capaz de obter as mãos sobre aquela arma, esta seria uma história diferente”. Deste modo, a necessidade de leis mais restritas que evitem que o número de pessoas assassinadas por tiroteio continue a aumentar é urgente (só na última década morreram 300 mil pessoas).

Entender a mente do indivíduo que comete tal acto é um passo importante para compreender este tipo de acontecimentos e prevenir que estes aconteçam, mas, para Swanson, não deve ser “o primeiro passo” na busca de medidas que regulem a violência provocada pela posse privada de arma.

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio. Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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