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A câmara vai a banhos mas não tira férias

As figuras públicas vivem perante o olhar de uma câmara que nunca tira férias. Vivem num escrutínio constante, debaixo do olhar do público que os conhece através do grande ou pequeno ecrã, das páginas de jornais ou da emissão de rádio.

O fato ficou em Belém. Pelo Algarve, o “Dress Code” é outro. E, em tempo de férias, o presidente apresentou-se aos eleitores apenas com calções de banho. Marcelo Rebelo de Sousa não passa desapercebido na praia e com certeza que não escapa às câmaras.

Nem de férias o Presidente da República sai da agenda mediática. E chega, inclusive, à capa de revistas nas quais os políticos raramente são notícia. Neste verão, quem não soube onde e com quem o presidente passou as suas férias?

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As informações tornaram-se públicas e as câmaras fizeram parte dos dias de descanso de Marcelo Rebelo de Sousa. Contudo, será isso uma invasão da vida privada? O que deve ser privado e o que é público?

“Todos temos três vidas: a vida pública, a vida privada, e uma vida secreta”, escreveu Gabriel García Marquez. Contudo, actualmente, as fronteiras entre o público e o privado esbatem-se constantemente, principalmente quando falamos de figuras públicas. O público e o privado confundem-se, transformando-se, muitas vezes, o privado em público.

A autora de O Público, o Privado e o Íntimo e psicóloga, Isabel Leal, defende que, actualmente, a privacidade existe cada vez menos. Os limites entre o público e o privado estão esbatidos. A privacidade foi banalizada devido, sobretudo, à evolução tecnológica. Então, afinal, o que deve ser privado e o que é público?

Quando falamos de figuras públicas parece que nada deve ser privado. Marcelo Rebelo de Sousa não pode ser simplesmente o Marcelo que vai à praia. Nunca vai escapar aos olhares das câmaras ou daqueles que o conhecem pelas suas aparições nos meios de comunicação. Todos os momentos se tornam, então, voluntariamente ou não, em actos de exposição pública.

Foi desta dificuldade associada ao ser figura pública que falou Cristina Ferreira na conferência “Liderança no Feminino. Quando Elas Fazem”, no dia da Mulher. “É muito difícil ser Cristina. É muito difícil olhar para o meu filho e saber que ele é filho da Cristina. Não vou muitas vezes buscá-lo à escola para o meu filho não sentir isso. É o mais complicado de gerir na minha vida privada que quase sempre é pública”.

Cristina Ferreira também não passa desapercebida. Também ela não pode ser simplesmente a Cristina que vai levar o filho à escola, porque é a figura pública Cristina Ferreira.

As opções profissionais da figura dominadora do entretenimento nacional e de Marcelo Rebelo de Sousa, bem como de tantas outras figuras públicas, condicionam, então, a sua vida privada, que se torna praticamente inexistente. Vivem perante o olhar de uma câmara que nunca tira férias. Vivem num escrutínio constante, debaixo do olhar do público que os conhece através do grande ou pequeno ecrã, das páginas de jornais ou da emissão de rádio.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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