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A bondade todos os dias

Vivemos demasiado ocupados com as nossas próprias vidas e isso faz com que, por vezes, nos esqueçamos de que existem outras pessoas além de nós e muitas delas precisam de ajuda nos mais diversos níveis – desde bens essenciais, passando por dinheiro e não esquecendo aquelas que precisam apenas de um ombro onde chorar, ou de uma companhia para que as horas pareçam passar mais depressa.

Somos seres egoístas por natureza, pensamos muito em nós e naquilo que nos preocupa e, quando finalmente paramos e nos apercebemos da existência de quem poderia usufruir da nossa ajuda, sentimos esse egoísmo pesar-nos sobre os ombros e temos a necessidade de fazer algo quanto a isso. Há quem tente ajudar e quem continue de braços cruzados, mas isso fica ao critério de cada um. O que será que podemos fazer para ajudar os outros com os recursos que temos é a pergunta-chave à qual procurarei responder ao longo deste texto.

Desde já convém deixar algo bem assente: ajudar os outros não é ajudar no Natal, na Páscoa e em outras épocas festivas idênticas. Quem precisa de nós não precisa apenas nas festividades – precisa sempre. Tendo este aspeto em conta, é importante percebermos que em Portugal existem várias formas de ajudar. Começando pelas instituições, podemos enviar uma candidatura para fazer voluntariado nos mais diversos locais, desde a Cruz Vermelha Portuguesa até ao IPO, por exemplo. Os contactos são, normalmente, feitos de forma simples e rápida e muitas dessas instituições são dotadas de uma grande flexibilidade de horários. A Cruz Vermelha aceita ajudas em questões de socorrismo, mas também em simples gestos como as recolhas de alimentos que se vão realizando ao longo do ano. O IPO, por sua vez, tem programas de voluntariado dedicados aos mais diversos tipos de pessoas – por exemplo, para estudantes há uma certa modalidade, com as respetivas normas e requisitos.

Para quem não quer, ou não tem disponibilidade para se comprometer com uma entidade deste género, há sempre a possibilidade de fazer um donativo monetário para uma instituição de solidariedade à escolha. Todas as instituições aceitam de bom grado todas as ajudas possíveis e, para quem pode, é uma boa opção. Quem não tem possibilidade de fazer um donativo monetário, pode optar por doar alimentos, ou outros bens essenciais. Estas duas alternativas são importantes na medida em que nos permitem ajudar sem termos de dedicar um par de horas exclusivamente a uma causa, podendo utilizar a flexibilidade desta ajuda para a conciliarmos com as várias atividades das nossas vidas.

A forma de ajudar que mais me impressiona e mobiliza é aquela a que eu chamo de “ajuda autodidata”, isto é, pessoas que não estão ligadas a instituições e que optam por não fazer donativos de origem monetária ou alimentar, criam as suas próprias ideias e fazem elas mesmas recolhas de alimentos, de bens essenciais e distribuem por quem deles necessita. Sublinho que esta forma de ajuda me impressiona na medida em que nos mostra que não precisamos de ser ricos, ter muito tempo disponível, ou viver perto de instituições de solidariedade para ajudar quem precisa – podemos simplesmente ser autodidatas e criar a nossa própria forma de ajudar os outros.

No entanto, embora a ajuda a pessoas com algum tipo de carência seja essencial, há outros tipos de ajuda que podemos dar todos os dias às pessoas que estão à nossa volta. Falo-vos, é claro, da ajuda que damos a um amigo, a um familiar e até a um desconhecido. O simples ato de oferecermos o nosso ombro para alguém chorar já é um ato solidário. Ajudar alguém com coisas banais como carregar os sacos das compras, abrir uma porta para a pessoa passar, dar direções/indicações a quem delas precise – estes são, entre tantos outros, exemplos de coisas banais que fazemos no nosso dia-a-dia e que, sem sequer nos apercebermos, estão a ajudar o próximo e a tornar-nos mais solidários, mais capazes, mais preocupados.

Nelson Mandela disse um dia que “devemos usar o tempo sensatamente e entender que o momento é sempre adequado para se fazer o bem”. O tempo certo de ajudar é agora, não depois, não amanhã e muito menos “quando der jeito”. Por um mundo melhor, por uma sociedade mais feliz, tentemos ajudar quem precisa de nós.

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Joana Veríssimo

Licenciada em Jornalismo e Comunicação e com uma paixão enorme pela escrita.

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