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A arte de ser professor

Se é na escola que até à idade adulta passamos a maior parte do tempo, então, o seu papel na construção da formação integral do indivíduo é de enorme dimensão, numa lógica de que a casa é a primeira escola e a escola é a segunda casa. A escola é, assim, um complemento e extensão da estrutura familiar de cada aluno, em que o professor desempenha um papel fundamental na relação que cada um tem com a realidade.

O que é ser um bom professor? Um bom professor é aquele que ensina para a vida. Ou seja, um bom professor é aquele que tem a habilidade de trazer para a sala de aula uma combinação de talentos, resultantes da fusão do conhecimento com a empatia, a criatividade, a dedicação e a mística, oferecendo ao aluno ferramentas estruturais para o desenvolvimento dos diversos níveis do seu saber: o saber-ser, o saber-fazer e o saber-estar. Talvez a virtude de um grande professor seja a de permitir ao aluno levar o melhor de si ao longo daquela que é a maior escola do mundo: a vida.

No entanto, se para o professor é um desafio enorme participar na formação da escultura tão peculiar dos vários saberes de cada aluno, perante as sucessivas alterações ao sistema de ensino, a pergunta que se impõe é: estarão as qualidades de um bom professor a ser asfixiadas? Estará o actual sistema educativo a impedir o desenvolvimento daqueles talentos nos professores em detrimento de uma torrente de informação sem fim?

Vivemos na era do descartável, na qual, em termos educativos, impera o excesso de informação e a falta de consolidação de conhecimentos, havendo pouco espaço para que o professor possa ser criativo, promover o seu talento e, assim, potenciar o talento dos seus alunos, ajudando-os a acreditar nas suas capacidades e a saber viver fora do casulo do meio escolar. Por isso, eis um dos grandes desafios do professor: encontrar o ponto de equilíbrio entre esse chorrilho de programas e metas curriculares e ajudar a formar “aprendedores”, ou seja, formar alunos que saibam como aprender e aplicar essa aprendizagem ao longo da vida.

Encontrar espaço para que o professor promova o seu talento pode ser um grande desafio. Porém, torna-se maior ainda se este tiver o talento de despertar talentos. E, em face dos tempos que correm, a boa notícia é que existem talentos brilhantes, devendo-se, em grande parte, a professores que possuem a arte de preparar pessoas para a vida.

Mesmo com pouco espaço de manobra, um bom professor continua a ser uma referência para a vida e um escultor de seres que no dia-a-dia usam do que beberam na sala de aula, para enfrentar os desafios do mundo. Por vezes, um bom professor só é reconhecido mais para a frente, no futuro, quando a realidade vem provar a eficácia dos seus ensinamentos, na mais abrangente acepção da palavra “pedagogia”.

Nos tempos modernos, urge formar pessoas com boas estruturas, capazes de construir um mundo melhor. Um bom professor exerce esse papel fundamental nos construtores do amanhã, ajudando-os a fazer do mundo um lugar onde vale a pena viver.

Em suma, se o professor souber tocar na pessoa-aluno, garantidamente terá a sua missão cumprida.

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Manuela Gonçalves Pereira

Madeirense, casada e mãe de dois filhos, os seus amores-para-sempre. Residente em Coimbra e licenciada em Comunicação Social, inspira-se nas pessoas e em tudo o que a vida oferece. Enveredou pela comunicação das organizações, área em que actualmente exerce a sua actividade profissional. Ler {livros e o mundo} e escrever aqui e ali são alguns dos seus passatempos favoritos.
Lema de vida: em tudo há sempre uma oportunidade.

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