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O que significa o amor e o casamento

Outro dia dei por mim num link recomendado pelo Youtube e a ouvir esta apresentação da Esther Perel, numa apresentação do TEDTALKS em março 2015 – “Rethinking infidelity … a talk for anyone who has ever loved”, que recomendo.

É muito interessante perceber os desafios que encontramos hoje em relação ao amor e ao casamento e como o que deveria ser simples e natural, se torna complexo intrincado e nos leva quase à exaustão.

De facto, as fronteiras entre o amor e o casamento andam tão baralhadas, como as do certo e errado.

Podemos amar sem termos de nos casar, mas o casamento pressupõe que o fazemos por amor, pelo menos nos dias de hoje. As definições e abordagens a estes temas, como explica a Esther têm mudado.

Hoje, não estamos dispostos a aceitar o amor por aquilo que ele é, pela pureza do que se sente, do que faz sentir, pelo bem que nos faz à saúde, ao corpo e à alma. Enchemo-lo de requisitos, assumimos que o amor deverá ser perfeito, para ser o amor que merecemos. Cobramos ao outro e ao amor, mundos e fundos. Não pode ser qualquer coisinha que nos calha na rifa, tem de ser perfeito. O amor para ser bom tem de ter tudo. Se o amor carrega este peso todo, quando transpõe a barreira do casamento leva uma tonelada às costas.

O casamento, a materialização do amor ou a concretização visível dos laços não poderá ficar atrás. A imagem idílica do casamento de sonho com a idealização do amor perfeito são construções imaginárias que a Disney tão bem alimentou na nossa imaginação, deixando-nos na ignorância quanto aos altos e baixos, tristezas e desilusões. Uma relação a dois, passa por vários momentos bons e maus, mais duros ou mais fáceis, mas todos necessários para a solidificação dos laços e o fortalecimento da relação.

Na verdade, na prática não estamos dispostos a abdicar de nada por um grande amor ou até pelo casamento. Tem de ser o espelho do que sonhamos e nunca menos que isso, não estamos dispostos a abdicar de nada para que as coisas funcionem, assumimos a postura “tem de me aceitar como eu sou” e, quando o outro assume o mesmo pressuposto, é o fim. Se ninguém ceder, se ninguém estiver disposto ou disponível para se adaptar e fazer algumas cedências, para que serve dizermos ao outro que o amamos?

Amo-me a mim primeiro, põe-te na fila!

É lindo! E sim devemos amar-nos primeiro, mas, no processo, não precisamos tornar-nos monstros de egoísmo e intolerância, já que o amor é precisamente o oposto: é saber que existem defeitos, que existem coisas que não gostamos, que vamos ter momentos maus e outros péssimos, mas que no final vai valer a pena, porque o que se sente com aquela pessoa ou naquela relação supera tudo isso.

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Sofia Cortez

Licenciada em Comunicação Empresarial pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, mestre em Publicidade e Marketing sobre o tema: “As bandas como marcas que constroem os novos mitos: o caso dos THE DOORS e uma pós-graduação em Marketing Management pelo ISEG. Autora do Blog e da página de Facebook: omeuserendipity e do livro: “Devemos voltar onde fomos felizes” de 2018 pela Editora Cordel D’Prata. Apaixonada por palavras, textos e livros e tudo o que faça a criatividade mexer e construir coisas novas! Imperfeita, desajeita, chata e cabeça dura.Profunda, taciturna e pensativa mas incapaz de fingir. Aquela que atende uma chamada a qualquer hora. Que tenta a todo o custo não deixar mensagens por responder. Silenciosa mas cheia de vida. Capaz de amar as pessoas mais improváveis e de chorar com as situações mais inusitadas.

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