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Política Comum de Pescas: entraves à sustentabilidade

A economia do mar é uma das vertentes mais importantes da actividade económica da União Europeia. Reconhecendo o peso e o valor que esta área apresenta para as economias de alguns países, a UE tem, nos últimos anos, unido esforços para operar uma reforma na Política Comum de Pescas (PCP) de forma a garantir a sua sustentabilidade económica e ecológica .

De acordo com os biólogos marinhos,  a sobrepesca, identificada como a maior ameaça para os ecossistemas marinhos, está a transformar os oceanos colocando muitas espécies em vias de extinção. As características da pesca moderna industrial, dominada por embarcações de grande porte que capturam toneladas de peixe, produzem um efeito devastador nos oceanos, que não tem capacidade para repor de forma natural o peixe mediante a procura do mercado.

Já este ano, no Parlamento Europeu foi votado, de forma concludente, o fim da sobrepesca até 2015 e da recuperação de stocks de peixe até 2020. Porém, a aplicabilidade desta votação tem encontrado dificuldades junto dos 27 ministros das Pescas que, até agora, rejeitaram estas metas, comprometendo-se somente com a meta definida para o término da sobrepesca.

Não alheios a esta questão, cerca de 200 organizações ligadas à pesca enviaram uma carta aos 27 ministros da pesca, apelando a um acção mais firme que permita assegurar a recuperação dos stocks de peixes europeus, promovendo uma gestão mais  ao mesmo tempo que promove a sustentabilidade dos ecossistemas.

Para Portugal, a importância de uma reforma que contemple os interesses dos pescadores será vital para a sobrevivência das populações ribeirinhas e do comércio que está ligado à economia do mar. Apesar de em termos de percentagem do PIB, o peso da pesca ser cada vez menos, tal como o número de pescadores licenciados, Portugal é dos países da UE onde o consumo de peixe per capita é mais elevado.

A extensa costa continental portuguesa, a Zona Económica Exclusiva (ZEE) ampla e os séculos de história, que reflectem o vínculo do povo português com o mar, demonstram que uma reforma da PCP, que salvaguarde, em termos económicos, os homens que passam dias e dias no mar à procura do sustento, terá um impacto directo na economia portuguesa.

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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