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25 anos depois: À procura de uma web aberta

Foi em Março de 1989 que surgiu a World Wide Web. A invenção de Tim Berners-Lee tornou-se numa revolução digital, mas também numa revolução para a liberdade individual. Hoje, grande parte da nossa vida está online e o ambiente virtual é cada vez mais aquele em que convivemos.

Tim Berners-Lee trabalhava na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), quando entregou “uma proposta para gestão de informação que traçava as bases do que viria a ser a web”, segundo o jornalista do Público, João Pedro Pereira. No entanto, só quatro anos depois, em 1993, é que o projecto foi aberto ao grande público, dando-se o primeiro passo para a revolução da Internet.

Apesar do conceito de rede de computadores já existir desde o início dos anos 60, com a denominada ARPANET, o documento, apresentado em 1989, entrou para a história propondo uma rede global e pública de computadores. “Se as grandes bases de dados existentes se ligassem umas às outras e com outras novas”, encontrar-se-ia um lugar “para qualquer informação, ou referencia que se considerasse importante e a maneira de a encontrar posteriormente”, explicou Tim Berners-Lee. Assim, partindo de uma proposta e depois de várias evoluções, chegamos à Internet como a conhecemos, como o meio de comunicação que se expandiu mais depressa que qualquer outro.

Agora, 25 anos após o surgimento da web, Tim Berners-Lee pede para que o público se volte a envolver com o seu projecto original: a Internet descentralizada, ou seja, aberta a todos. “Quero uma rede que seja aberta, trabalhe internacionalmente, trabalhe tão bem quanto possível e que não seja fundamentada em nações”, disse Tim Berners-Lee, no evento de lançamento da edição de Março da revista Wired. Berners-Lee afirmou que o maior perigo é o surgimento de uma web balcanizada por países, ou organizações. “O que eu não quero é uma web em que o governo brasileiro tem os dados de cada rede social armazenados em servidores”, explicou. A desconfiança que se tem fabricado, a partir de um nível político até à autocensura entre cidadãos, ameaça uma web aberta e esta é, segundo Berners-Lee, uma ameaça maior que a censura.

Para combater as ameaças e comemorar o aniversário da World Wide Web, foi lançada a iniciativa “The web we want” (A web que queremos), que convida as pessoas a defenderem o seu direito a uma Internet livre, aberta e verdadeiramente global e propõe a criação de uma carta de direitos em cada país. “Precisamos de uma constituição global, de uma carta de direitos”, explica Berners-Lee, preocupado com os crescentes ataques de governos e empresas à web.

 

Ao longo de 25 anos, a web deixou de ser um simples projecto de laboratório e tornou-se numa parte essencial da vida de milhões de pessoas, no entanto, nos últimos anos, empresas e governos tentaram restringir, taxar e monitorizar o acesso à rede. Nos últimos meses, Tim Berners-Lee chegou mesmo a criticar o sistema de espionagem dos governos americanos e britânicos, afirmando que a Internet deve ser um meio “neutro”, que deve ser utilizado sem se ter a sensação de ter alguém “observando sobre os seus ombros”.

A invenção de Berners-Lee foi o www, foi um projecto concebido para melhorar a comunicação entre laboratórios universitários, mas esta invenção tornou-se na principal fonte de informação actual e trouxe com ela a capacidade até de influenciar o voto e mesmo a democracia, se controlada. Por isso, permanece a luta por um futuro com uma web livre e aberta para cada um dos seus utilizadores.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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