Tuesday 22nd July 2014,
Repórter Sombra

Como ser mulher na sociedade contemporânea

Estela Tavares 19 de Setembro de 2012 Sociedade, Sociedade Sem Comentários
Como ser mulher na sociedade contemporânea

Direito ao voto, direito à igualdade e direito ao mesmo trabalho e remuneração correspondente que os homens. Estes foram alguns dos direitos que as mulheres, ao longo dos séculos, foram conquistando para alcançar a paridade de géneros. Apesar de o caminho ainda ser longo, as mudanças são evidentes: a presença das mulheres na política tem aumentado significativamente e o mesmo pode-se constatar em cargos superiores de empresas (embora a remuneração nem sempre seguir o critério da igualdade). No entanto, outra questão se levanta para a nova mulher da sociedade contemporânea: como conciliar uma carreira de sucesso com uma família.

Com certeza que a expressão “Não se pode servir dois senhores” por alguma situação já vos foi relembrada sabiamente por alguém (as mães são especialistas neste tipo de comentários). Não menosprezando a capacidade dos homens de se dividirem em sete, às mulheres é pedida uma tarefa praticamente impossível: ser a supermulher. Se a mulher pode ter (e deve ter) direito a tudo, esse tudo deve ser regido com perfeição pois como Helen Gurley Brown, ex directora chefe da revista Cosmopolitan, cargo que ocupou por 32 anos, dizia “As mulheres querem o que os homens querem – serem tratadas com equidade, serem valorizadas, respeitadas, adoradas, e encorajadas em seu trabalho.”

Recentemente Anne-Marie Slaughter, professora em Princeton e ex-directora da planificação de políticas do Departamento de Estado dos EUA publicou um artigo na revista The Atlantic, intitulado de Porque é que as mulheres ainda não podem ter tudo?, onde discorre sobre este tema. Enumerando vários exemplos de mulheres do panorama político americano como Mary Matalin, antiga assistente do Presidente Bush que desistiu da posição para estar mais tempo com as filhas, Slaughter afirma que uma mulher que desempenhe funções num alto cargo vê de sobremaneira dificultada a missão de conciliar a vida pessoal com a profissional, pois a forma como o horário laboral está estruturado é impossível conciliar as duas e, na sociedade actual, a figura feminina ainda está muito conectada à imagem maternal.

Actualmente, por razões históricas, os discursos que ouvimos de mulheres em altas posições estão direccionados para o chavão ‘Women can have it all’, mas tal como refere Slaughter, a organização do mercado de trabalho torna difícil conjugar os dois mundos e, por vezes, em detrimento da carreira profissional as mulheres abandonam os altos cargos e escolhem a família. Após dois anos como directora da planificação de políticas do Departamento de Estado dos EUA, Anne-Marie desistiu do seu cargo para puder passar mais tempo com a família, obviamente que não deixou de trabalhar (continua a desempenhar funções como professora e a dar palestras um pouco por todo o mundo), porém compatibilizar os dois mundos tornou-se impraticável como explica nesta passagem do artigo:

“Em suma, na hora que me encontrei em um trabalho que é típico para a grande maioria das mulheres que trabalham (e homens), trabalhando longas horas por conta de outrem, eu já não podia ser a mãe e a profissional que eu queria ser.”

Soluções como a flexibilização do horário de trabalho (proposta avançado no artigo) podem ser uma forma de atenuar esta questão e evitar que as mulheres tenham de comprometer o ‘tudo’ a que têm direito. No mundo ocidental, em que a auto-realização é uma das dimensões mais importantes para tornar uma pessoa num todo, o campo pessoal/familiar não pode ser visto como um obstáculo para alcançar a satisfação profissional e o género muito menos.

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About The Author

Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio. Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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