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1984, de George Orwell

Estou inserido naquele grupo de pessoas que inveja as aves – a capacidade de voar, os seus movimentos erráticos, mas, sobretudo, pela sua liberdade. A ausência de liberdade, que é possível encontrar em 1984, consegue derrubar qualquer um desse grupo.

Escrito em 1948 e lançado em 1949, este livro de George Orwell disponibiliza um planeta diferente, dividido em três países, entidades aglomeradoras dos países que tão bem conhecemos, e com aparentes guerras pelos recursos naturais. A história do livro divide-se em três partes. Numa primeira parte, aprendemos o essencial das características do regime totalitário. O poder do colectivo e a repressão do individual, a ausência de cultura, de liberdade, seja de expressão ou de qualquer acto que consideramos banal nas sociedades ocidentais. A perda de liberdade quotidiana, onde toda a energia é canalizada para o trabalho rotineiro e para o trabalho voluntário em prol do partido dominante. A pobreza, a falta de alimentos, desinformação, propaganda, entre outros aspectos, que, felizmente, só é possível imaginar e não vivenciar. A segunda parte remete-nos para a fuga desse quotidiano em benefício individual do protagonista, através de delitos aos olhos do regime, e que fazem crescer, no protagonista, o desejo de mudança e o repúdio face à situação vivida. Por fim, a terceira parte apresenta o desenlace da história, algo surpreendente, e que nos faz reflectir sobre os avisos constantes do livro.

Em todo o caso e aconselhado como uma distopia de alto relevo e qualidade, penso que este livro é algo mais do que uma boa obra distópica. Considerado por muitos como um clássico e como uma forma de alertar para os perigos ideológicos de Estaline na antiga União Soviética, 1984 é uma obra obrigatória na contemporaneidade. Numa época de relevo para as novas tecnologias e de ascensão das liberdades fundamentais em todo o planeta, George Orwell relembra-nos da facilidade de ascensões ideológicas perversas. A obra deve servir como aviso, como forma de alertar para as consequências da abertura das civilizações a ideologias repressivas e totalitárias e não como guia de conduta.

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João Miranda

Comunicação e Sociologia como formação, escrita como actividade de lazer. Livros e café, uma boa esplanada e amigos, sol no céu vigilante e viagens. Será difícil levar algo melhor da vida do que isto.

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