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CinemaCultura

The Hunger Games

Num futuro distante, a nação anteriormente conhecida como os EUA vive o calor de uma intensa Guerra Civil, o estado vencedor forma o Capitólio e os respectivos perdedores em distritos que apenas existem à mercê do triunfante. Como sinal de soberania e em certa parte humilhação para os restantes, o Capitólio exige anualmente a senda de tributos (jovens escolhidos) de cada distrito para servirem de sacrifícios para eventuais jogos mortais, denominados de Jogos da Fome, uma espécie de gladiadores instantaneamente criados como “homenagens” aos “caídos”.

Uma distopia futurista que serviu para Suzanne Collins emanar na sua série literária uma visão algo subliminar do mundo que se vive, dos maniqueísmos por vezes atribuídos somente pelos “vencedores” e pelas políticas existentes e aclamadas. The Hunger Games é esse sucesso adolescente que parece suceder à febre invocada pelo fenómeno Twilight, porém, ao contrário da saga criada por Stephenie Meyer, esta reivindica um intenso espírito jovial, a rebeldia presente numa revolução a nível social e ideológica.

Porém, verdade seja dita, todo este conceito é pura reciclagem de outros materiais tão enraizados na nossa cultura e, por outro lado, os chamados Jogos da Fome não são mais que alusões a uma manga de Kinji Fukasaku, Battle Royale, que tornou-se em 2003 num bem-sucedido filme. O tratamento dado a esses elementos, tornaram The Hunger Games num fenómeno a ser discutido, não como a mais recente febre adolescente, mas como uma tendência sociológica e idealista que confunde-se cada vez mais com a cultura pop.

Katniss Everdeen: heroína ou mártir de guerra?
Katniss Everdeen: heroína ou mártir de guerra?

Começamos em 2012, com um primeiro e morno filme, a adaptação do primeiro volume fez-se por vias de um extenso nervosismo. Como sabem o sucesso é importante para um futuro franchise cinematográfico vingar e The Hunger Games teria aqui a sua mais forte aposta. Gary Ross assinou esse arranque, uma obra que envergou pelos lugares-comuns desse popular cinema, carenciado todo uma temático politico-sociológica por vias de um maniqueísmo evidente, até porque o Capitólio é sádico e fascista até à “quinta casa”, nisso todo o jovem apanhado de surpresa nesta incursão automaticamente identifica.

Contudo, onde o filme verdadeiramente se instala na escolha da sua protagonista, Katniss Everdeen, uma Jennifer Lawrence que ascende até a um novo estatuto, um ídolo adolescente e não só. Porém, a sua personagem torna-se numa própria força vital, numa cadência que o espectador não envergonha seguir. Ela é um forte protagonista … e atenção, uma jovem regida numa solidez intrínseca. Ao contrário da anterior heroína destas audiências, Bella Swan, Katniss é emancipadora de qualquer homem, o que consolida na perfeição com o seu espírito rebelde e constantemente desafiador, essa afronta para com as autoridades, torna-se também na sua vincada imagem de marca.

Como consequente do êxito que fora, no ano seguinte chegou-nos o segundo filme, baseado num seguinte livro, Catching Fire (Em Chamas). Agora sob a batuta de Francis Lawrence (Constantine, Water for Elephants), The Hunger Games entrega-se uma outra dimensão, porque, após o desafio, após a superação do nervosismo apresentado no primeiro, os produtores deram carta verde para qualquer incursão politica instalada neste franchise, desde que seja, literalmente, “traduzido para miúdos”. The Catching Fire acaba por percorrer as pisadas deixadas pelo seu antecessor, mas contrai uma afiada critica onde quer que pise.

Um símbolo que trespassou a fronteira do ecrã!
Um símbolo que trespassou a fronteira do ecrã!

Aqui, os antagonistas são um Governo, descritivamente totalitarista, que apressem em restaurar o equilíbrio social agora ameaçado por uma nova “Joan D’Arc”. Contudo, essa dita relação biótica é envolvida de dominância e com isso, a instalação da já verificada ditadura, mantida a ferro e fogo pelo Capitólio. Katniss solidifica ainda mais, deixa de lado a imagem de adolescente guerreira e assume como um mártir de guerrilha e em certa parte um ícone de uma causa, que deseja ser silenciada.

Combinando as tramas amorosas com a acção que não envergonha os integrais do género, The Catching Fire consegue por vias dessas camadas expandir a sua mensagem, as suas ideias têm sido mais tarde impulsoras de um movimento revolucionário na Tailândia, o qual o gesto simbólico executado por Katniss nos filmes tem servido como acto de rebeldia ao governo tailandês, que fora fruto de um Golpe de Estado militar em Maio de 2014. Uma manifestação que tem preocupado os órgãos governamentais desse país, que gerou a suspensão dos dois últimos capítulos em todo aquele território.

Uma prova de que nem sempre o cinema ditamente adolescente pode ser totalmente descabido de ideias, nem de ideais. The Hunger Games é um exemplo de um futuro movimento a surgir na nossa cultura pop e, como cinema, é rigoroso e dotado de um elenco invejável em consolidação, com personagens formidáveis e enraizadas nesse cenário futurista que tão bem poderia ser o nosso mundo moderno.

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Hugo Gomes

Jornalista freelancer e crítico de cinema registado na Online Film Critics Society, dos EUA. Começou o seu percurso ao escrever no blog "Cinematograficamente Falando", acabando por colaborar nos sites C7nema, Kerodicas e Repórter Sombra, e ainda na Nisimazine, a publicação oficial da NISI MASA - European Network of Young Cinema. Nesse âmbito ainda frequentou o workshop de crítica de cinema em San Sebastian, também cedido pela NISI Masa, e completou o curso livre de "Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa" da Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos programadores da edição de 2015 do FEST: Festival de Novos Realizadores de Espinho, e actualmente cobre uma vasta gama de festivais, quer nacionais, quer internacionais (Cannes, San Sebastian).

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